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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

NÃO SE CHUTA CACHORRO MORTO, MAS...



Não, não se chuta cachorro morto. Mas há um cachorro que vou ter prazer em chutar, mesmo que ele insista que não morreu: José Serra.

Não estou falando do cachorro em termos pessoais, mas políticos.

O cachorro-político José Serra revelou sua verdadeira face nesta campanha: disseminou e permitiu que se disseminassem o ódio, o preconceito e a mentira, com ataques seus, de sua mulher, de seus correligionários à honra de sua adversária.

Tentou ganhar no grito, na farsa de uma bolinha de papel, na certeza de que tinha o apoio da imprensa, para dar veracidade a um enredo de commedia dell’arte, acabando por se tornar, ele mesmo, o palhaço de suas próprias mentiras.

Trouxe para discussão política temas absolutamente avessos a um estado democrático e laico, como o brasileiro, ao tocar em temas moralistas, como a fé e a crença, despertando ódios antigos de fanatismos religiosos medievais.

Tentou incutir em seus eleitores mais moralistas a demonização do aborto, como se essa prática que mata milhares de mulheres todos os anos fosse assunto de campanha e não de saúde pública, em que o Estado não pode ficar ausente e permitir tal morticínio apenas por preconceito.

Importou dos Estados Unidos especialistas em redes sociais para treinar os chamados troleiros – indivíduos que disseminam inverdades pela rede mundial – com a finalidade de confundir os eleitores, através de notícias falsas, de ataques raivosos à sua adversária.

Contou com a colaboração de uma certa imprensa canalha, que esconde sua preferência e seus posicionamentos ideológicos fascistas atrás da disseminação de inverdades, com a única finalidade de interferir no resultado das eleições, conforme seus interesses escusos, ou seja, de mais verbas ou da venda de seus produtos a governadores corruptos, como o próprio Serra fez em São Paulo, ao alavancar os negócios de uma determinada editora ligada a jornais e revistas de grande circulação com a compra de milhares de exemplares a serem distribuídos na rede escolar. Pobres crianças, a terem de engolir o lixo ideológico dessa gente!

Moralizou ao extremo o seu discurso de direita, para tentar passar a seus eleitores, de forma implícita, que ele era o enviado, num discurso salvacionista que incutia a tese de que só a fé podia livrar o País das garras do demônio.

Jogou na lama o seu passado – até respeitável, em termos políticos – ao adotar preceitos da direita mais empedernida e raivosa, como a condenação aos programas sociais do governo, desmentindo-se depois que a grita geral ameaçou sua campanha; e ao colocar sua ambição pessoal acima de qualquer valor cívico que diz preservar, mas só o faz da boca para fora.

Escondeu de todas as formas possíveis sua vocação privatista, fazendo falsas juras de amor às empresas estatais, enquanto seus correligionários avançavam negociações para a venda do patrimônio público, na calada da noite, em hotéis distantes, com grandes empresários estrangeiros.

Prometeu terminar o mandato de prefeito de São Paulo, mas renunciou dois anos depois para candidatar-se ao governo estadual, porque na prefeitura não obteria sem despertar grandes suspeitas o capital necessário para sua campanha presidencial, com a negociação de propina com grandes empreiteiras que tocavam e tocam obras gigantescas, como Rodoanel.

Não falou uma vez sequer em propostas para a política externa do Brasil, já que pretendia realinhar o País aos Estados Unidos da América, como sempre o fizeram todos os presidentes antes de Lula, voltando a deixar de joelhos diante do gigante do norte o povo brasileiro, num claro desrespeito às conquistas de independência levadas a efeito até agora, pelo atual presidente.

Desrespeitou a inteligência do eleitor, ao prometer mudar uma política econômica que vem dando certo e que livrou o País da dependência do FMI, sem dizer exatamente que mudanças seriam essas, escondendo suas verdadeiras intenções privatistas e de subserviência ao capital estrangeiro.

Criticou duramente os juros altos do atual governo, que estão na casa dos 10%, esquecendo-se de que, como ministro do governo anterior, foi conivente com taxas acima de 25%, que consumiam a poupança do povo e deixavam o País à mercê do capital especulativo internacional, empobrecendo ainda mais os mais pobres.

Enfim, mentiu, acusou, levantou suspeitas sem provas, atacou a honra de sua adversária ou deixou que seus correligionários o fizessem através das redes socias da internet ou através da imprensa golpista que o apoiava.

Por isso, chuto, sim, esse cachorro morto que, espero, não ressuscite nunca mais para trazer mais mentiras, mais preconceito, mais ódio a um povo que não merece passar por isso de novo.

domingo, 10 de outubro de 2010

TODO CUIDADO É POUCO!




É claro que o Zé tem história.

Não apenas a que ele conta, mas a que todos conhecemos: com erros – muitos! – e acertos – alguns!

Infla seu perfil com realizações que são dele.

E a maior lorota é que tenha sido o “melhor ministro da saúde”. Bobagem. Nem ele mesmo acredita nisso.

No entanto, ele tem, sim, uma história razoável de realizações e de luta política.

O problema é que, para ser presidente a qualquer custo, está jogando sua história na lata do lixo do FASCISMO, ao abrir os braços para a direita mais retrógrada que existe neste País.

A direita da TFP, da OPUS DEI, do preconceito, do racismo, do sexismo!

É contra isso que devemos estar atentos, porque a serpente espreita por trás de uma campanha suja criada por profissionais – do humor, da crônica, da literatura etc. – especialmente contratados para inventar “casos escandalosos”, piadas de mau gosto, mentiras e até documentos falsos.

É isso o que eu chamo de campanha FASCISTA!

Porque a direita está aí, sim, viva e esperta, esperando o momento certo de fazer desse País aquilo que eles mantiveram até ontem: um País de terceiro mundo, conservador, subserviente aos interesses do Estados Unidos, entreguista, privatista e, principalmente, pobre.

Brindo-lhes com artigo abaixo, para ler e sorrir – amargamente, porque a brincadeira é séria.



Sexta, 8 de outubro de 2010, 08h13


A Direita Ruge


Marcelo Carneiro da Cunha

de São Paulo


http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4722871-EI8423,00-A+Direita+Ruge.html


Estimados leitores, sim, a direita existe. Papai Noel talvez não exista assim lá muito concretamente, existem dúvidas quanto a real natureza dos duendes e da Jessica Alba, eu sinceramente creio que pensar em OVNIS é absoluta falta de tempo ou noção, e nunca vi uma mulher dotada de senso de humor, portanto, acho que não existem.


Mas, a direita, estimados leitores, existe.


Ela faz que não, jura que se reformou e agora adora a humanidade, inclusive a que não possui conta em paraíso fiscal; ela assegura a quem estiver por perto que essa coisa de direita é ultrapassada e agora somos todos de centro, mas isso é, nas palavras da minha boa, sólida e direitista avó Jovita, papo pra boi dormir.


A direita, estimados leitores, está aqui ao nosso redor, louquinha pra mostrar o que é bom pra tosse. Ela fez que saiu de cena e se mandou para o Maranhão, onde os Sarney cuidam de tudo e ninguém diz ai sem saber para que lado o vento sopra, mas não é verdade. Ela está aqui, ela está ali, ela está em toda parte, e sempre do lado da sombra, que é onde ela se sente mais à vontade.
Se você caiu nesse conto do vigário e do bispo, de que a direita não existe, lembre que tanto o vigário quanto o bispo são os representantes dela vestidos em robes esquisitos ou em ternos de mau-gosto. Eles detestam as minorias, não é? Eles não querem saber de gays tendo os seus direitos constitucionais respeitados, não é? Mulher é tão inferior que não pode ser ordenada, não é mesmo?


A direita faz que não está ali, que agora entrou pro mercado de ações e aprendeu a se comportar, mas ela é a mesma, estimados leitores. Ela não gosta de liberdades, tem pavor dessa tal de democracia, com a qual ela finge que concorda porque não há outro jeito. Ela nunca engoliu o sapo barbudo, e foi engolida por ele, mas não se conforma.


A direita descobriu a internet, estimados leitores, e nos encheu de emails sobre o horror do PT e o fim do mundo que o Lula aprontou pra todos nós. Você não recebeu toneladas de mails raivosos e rabugentos nesses tempos e mesmo antes deles? Como se parecem esses mails? Eles não têm sabor de veneno e olhar de predador louco pela sua carcaça? Eles não ficam lhe avisando para se cuidar com tudo que está ali fora? Eles não lhe avisam que o que está ali fora quer terminar com a civilização ocidental e o direito divino dos que sempre tiveram tudo de continuar tendo? Eles não são basicamente contra tudo?


A única desvantagem séria que a direita tem em relação ao resto do mundo, é que ela pode ser desprovida de respeito por você e de escrúpulos com relação a tudo, mas, felizmente, ela é burra. Ela ruge contra tudo que está aí, mas ela não compreende quase nada do que acontece. Ela grita, mas não sabe, ela reclama, mas não propõe. Algum dos emails que você recebeu propunha alguma coisa que fosse utilizável por um cidadão de bem, ou não passava de denuncias tão malucas quanto improvadas?


A direita, estimado leitor, não está nem aí para as provas, ou para a razão, pois ela não precisa de nada disso para viver. Para ela, basta a raiva. Algum email que você recebeu era raivoso?
A direita se faz de boazinha e carola, e a gente diz, óoooo, que terna! Aí vem a eleição, e a maioria do povo não se mostra simpática a ela, e ela mostra o seu real rosto, em sua sublime feiúra. Sabe criança que se faz de boazinha, aí você diz não e ela abre o berreiro? Você recebeu algum email com berreiro recentemente?


A direita sabe de ódio de classe, estimados leitores. Ela não entende, não aceita, não imagina um mundo de iguais. Ela diz que o Bolsa Família está destruindo a sociedade porque agora os mais pobres preferem não fazer nada a trabalhar nas casas deles. Você não recebeu mail sobre isso? Sobre os pobres preguiçosos que não querem mais trabalhar por migalha? Ela suportou o Lula porque não havia muita escolha e ele era espero demais para ela, mas agora quer vingança. Você recebeu emails pedindo vingança, estimado leitor?


Alguns de vocês talvez achem que o nome do sistema define se ele é esquerda ou direita. Basta o partido ter social no nome para ser de esquerda. E portanto, nenhum partido é de direita, já que nenhum se anuncia assim. Não é o nome, estimados leitor, mas a atitude. Alguém aí duvida que o tal de DEM é de direita? Mas ele não se anuncia assim, não é?


Assim, estimados leitores, e para simplificar as coisas, o Chavez é de direita, assim como o Bibi. O odioso Ahmadinejad e seus aitatolás são pra lá de Bagdá, se o assunto é direitismo. Cuba é de direita, a Rússia idem. A Europa Ocidental é toda de esquerda, em matizes que variam em torno da clássica social-democracia, o Brasil tem sido governado de um jeito de centro esquerda, a Argentina é peronista, o que quer dizer que não há como saber de que lado ela fica. Os Estados Unidos são de direita, mesmo que o Obama não seja ou goste disso, e a direita deles é ainda muito, mais muito cheia de raiva do que a nossa, até agora.


Uma colunista foi demitida de um grande jornal de São Paulo simplesmente por escrever uma coluna que discordava da linha editorial do jornal, que é de direita. A imprensa brasileira, toda ela, não se assume de direita e diz que essas coisas não existem e que a imprensa é livre.
A colunista de um grande jornal de direita acaba de ser demitida por ser livre. Quem não gosta de liberdade são eles. Quem não sabe o que fazer com ela, são eles. Quem inventou que eles eram democratas, foram eles. Não são, deixaram isso claro, e, portanto, colocaram à mostra os seus mesmos e enormes dentes.


A direita, estimados leitores, existe e ruge. O que você acha disso diz muito do que você é, do que o seu voto vai ser, e do que esse país vai se tornar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MENTIRAS QUE VIRAM VERDADE É FASCISMO!






Vamos pôr todos os pingos em todos os is, gente!

O Zé, o PIG, o DEM/PSDB, enfim, todo mundo repete que Lula continuou a “boa administração” do FHC.

Mentira!

Se Lula tivesse continuado com as políticas econômicas de FHC, o Brasil já teria ido pro brejo há muito tempo, porque FHC QUEBROU O PAÍS, para se reeleger e tornou a quebrar, no segundo mandato – com a PRIVATARIA – para tentar consertar, sem sucesso, os erros do primeiro mandato.

Lula adotou uma política econômica conservadora, sim, porque não havia outra saída: como ele mesmo disse, não podia errar!

Outra mentira deslavada: FHC é o pai do Plano Real (e agora o Zé está dizendo que é ele!). Quem engendrou e aplicou o Plano Real foi o governo de Itamar Franco e sua EQUIPE ECONÔMICA! FHC era, sim, o ministro (ou sinistro?) da Economia, mas nunca escondeu de ninguém que não entendia nada do assunto, era apenas uma função política, não técnica.

Portanto, de tanto dizer mentira, essa turma da DIREITA HIDRÓFOBA distorce a história e transforma suas mentiras em verdades, veiculadas a todo momento pelo PIG!

E transformar mentiras em verdades, através da sua repetição, é coisa de FASCISTA!

A campanha do Zé é fascista: o Zé está jogando todo o seu passado – que não tão lamentável assim, em termos políticos – na fogueira da vaidade fascista de querer ser presidente no grito, a qualquer custo, mesmo que a verdade e sua história pessoal sejam jogadas na lata do lixo do fascismo que tomou conta de sua campanha!

Contra as mentiras que a CAMPANHA FASCISTA do Zé, da mídia e de seus asseclas criadores de trollers nas redes sociais, só existe um caminho: USAR A EMOÇÃO, NÃO A RAZÃO, PORQUE ESSA GENTE SABE EXATAMENTE O QUE FAZER PARA DESMORALIZAR, ACHINCALHAR E MENTIR, usando as técnicas fascistas que o PIG-Folhão usa em sua propaganda.

LULA PAZ E AMOR foi uma boa estratégia, não só porque era uma estratégia, mas porque era verdadeira. Lula se fazia de mau, de bicho-papão, de metalúrgico grosso, para assustar. E assustou. Nunca foram e nunca serão essas as características do Presidente, mesmo quando perde as estribeiras pelo exagero de certas correntes da mídia. Quando adoçou a imagem, perderam o medo dele e aquela atriz semiaposentada que veio a público falar de medo ficou falando sozinha, lembram?

Agora, a mesma coisa deve/precisa acontecer: DILMA tem fama de durona. Porque há o mito de que toda mulher que se sobressai tem de ser “machona”. Isso está no imaginário popular. É preciso com urgência construir/reconstruir a imagem da DILMA MULHER!

E isso não é difícil. E parece que já começou a ser feito.

“HAY QUE ENDURECERSE, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS”!


Para entender toda a cachorrada que estão fazendo, leia e divulgue o artigo abaixo, tirado do site de Luís Nassif.




O gerenciamento de percepções na campanha anti-Dilma


Enviado por luisnassif, sex, 08/10/2010 - 08:50


Desconstruindo a campanha difamatória contra Dilma Rousseff

Publicado em 6 outubro 2010 by Renato Guimaraes

Parece que com nestas eleições o Brasil finalmente chegou ao Primeiro Mundo. Não tanto pelo movimento da economia, que causa inveja na imprensa internacional, mas por um aspecto mais lúgubre: o surgimento de um movimento neoconservador (“Neo-Con”, para usar um jargão em moda especialmente nos Estados Unidos) capaz de inflar a “onda verde” da candidata Marina da Silva, arrancar votos preciosos de Dilma Rousseff, forçar tanto a Dilma como o José Serra a renegarem publicamente posições anteriores sobre descriminalização do aborto, levando-os a uma guinada em favor de posições conservadoras, e de alimentar uma impressionante campanha de desinformação e de ódio contra a candidata governista, usando como plataforma as redes sociais, como o Twitter, além de correntes de email.


Todos estes elementos contribuíram, junto com vários outros, como destaca Idelber Avelar em excelente post para o blog O Biscoito Fino e a Massa, para dar um nó nos institutos de pesquisa de opinião e de certa forma trazer para o cenário político brasileiro estratégias de comunicação que estávamos mais acostumados a ver sendo usadas em ambientes mais polarizados nos Estados Unidos e Europa.

Pode até parecer exagero, já que não é a primeira vez que folhetos apócrifos surgem para queimar a imagem de determinados candidatos. A novidade aqui é a aparente organização no método de “enlameamento”, que entrelaça notícias da grande mídia, opiniões de articulistas e “formadores de opinião, folheteria apócrifa, boataria organizada boca-a-boca, comunidades e perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e por aí vai.

O maior alvo desta espécie de campanha de desconstrução e reconstrução de imagem parece ser a candidata governista. Em resumo, a imagem que dela se procurou construir teria os seguintes elementos:

1. É uma guerrilheira, com um passado de violência, implicada direta ou indiretamente no assassinato de civis em ações armadas da guerrilha. Até uma foto montada dela sentada em uma mesa com um fuzil ao lado andou circulando por blogs e emails na internet. Reforça esta “suspeita” de um passado violento mal contado o fato de o Superior Tribunal Militar ter proibido o acesso ao processo contra a candidata justamente para evitar seu uso político. A Folha de São Paulo vem tentando, com muito afinco, ter acesso a esta papelada, por enquanto sem sucesso. Também para reforçar esta imagem sempre que se fala deste período da vida da Dilma em geral se usa uma foto da sua ficha na polícia com os olhos esbugalhados, além de um registro de captura falsificado, usado até mesmo pela Folha em uma de suas varias matérias sobre o tema.


2. É uma anti-cristã, provavelmente ateia, defensora do aborto, do casamento de gays e em geral da dissolução dos laços familiares. O Programa Nacional de Diretos Humanos – PNDH-3 é destorcido e usado como prova de que ela apoia medidas que vão contra a indole cristã do povo brasileiro e que, por tabela, estimulam o ódio racial, via sistemas de cotas em universidades. Dilma já foi até chamada de “assassina de criancinhas” e diversos vídeos no YouTube comparam suas declarações em favor do tratamento do aborto como tema de saúde pública com suas falas mais recentes nas quais exprime sua posição pessoal contra o aborto. Esta aparente contradição seria prova de hipocrisia e duas caras, portanto, de que não se pode confiar nela.

3. É uma “pau-mandada”, uma “cobra criada”, uma “criatura” sem personalidade e carisma, engendrada pelo maquiavelismo de Lula como forma de esquentar seu lugar por quatro anos até que este possa se candidatar de novo à presidência. Nesta linha de raciocínio a eleição da Dilma faria parte de um projeto de longo prazo do PT (e de seus “petralhas”) de se perpetuar no poder pelo menos pelos próximos 12 anos (4 da Dilma + 8 do Lula em seguida).

4. É antipática, arrogante, tecnocrata, que costuma berrar e tratar mal as pessoas com quem convive. O William Bonner fez uma pergunta neste sentido na primeira entrevista da candidata ao Jornal Nacional. O sorriso que ela esgrime seria falso como uma nota de três reais, o que apenas demonstra sua falsidade geral. No fundo ela seria uma espécie de produto de pouco conteúdo, mas embalado por técnicas sofisticadas de marketing.

5. Ela é homossexual. Circula por aí até mesmo a história de que uma ex-amante de longa data estaria cobrando indenização pelo tempo em que conviveram.

6. Não está realmente curada do linfoma e o câncer teria reaparecido. Prova disso seria o aparente cansaço e inchaço de seu corpo nos últimos dias da campanha do primeiro turno. Segundo boataria que corre na internet, já prevendo a possibilidade de Dilma não cumprir seu mandato, caso seja eleita, o PT teria um “plano B”, que seria eleger a maior bancada possível no Congresso para fazer frente ao PMDB, que chegaria ao poder via Michel Temer, o candidato a vice. O subtexto, lógico, é que para evitar um segundo “caso Sarney”, o melhor seria eleger de uma vez o Serra.

7. Na verdade, é pura e simplesmente incompetente, especialmente quando comparada a seu oponente do PSDB. Teve sua administração frente à Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul questionada pelo Tribunal de Contas local, segundo reportagem da Folha de São Paulo (depois desmentida pelo próprio TCE). Não foi capaz de escolher bem seus assessores, como demonstra o caso Erenive. Fez o consumidor brasileiro pagar 1 bilhão de reais por falha de cálculo nas contas de luz, também segundo a Folha (sempre a Folha). Até mesmo a falência de uma pequena loja de quinquilharias importadas que tinha em sociedade com parentes foi sub-repticiamente jogada nas suas costas. Ou seja, se não é capaz de gerir seu próprio negocio e foi incompetente nos cargos públicos que ocupou, como pode esperar administrar o pais?

8. Tudo isso culmina com o famoso “a candidata Dilma não tem biografia, não tem história”, como cansa de repetir José Serra e os apoiadores de sua candidatura. De novo o subtexto é algo do tipo: quem é essa mulher para chegar do nada e pretender ser Presidente da República só porque o Lula cismou? O outro subtexto é: “ela vem só para garantir que o PT continue aparelhando a máquina pública e perpetuando a corrupção e a bandalheira que virou endêmica. Precisamos salvar as instituições desta corja!” (essa eu li em uma corrente de email que recebi e infelizmente deletei imediatamente).

9. E para coroar tudo, como pano de fundo geral, a cantilena que já vem de alguns anos contra a principal política social do governo federal, a Bolsa Família, que estaria criando toda uma geração de vagabundos e sanguessugas dependentes da ajuda do Estado, ou seja, dos impostos pagos pelo trabalho árduo dos trabalhadores. Para ser mais preciso, a argumentação em geral que circula pela rede é que os estados do Sul-Sudeste, especialmente São Paulo, estariam subvencionando a boa vida de nordestinos e nortistas, os quais, por sua vez, retribuiriam a moleza votando em massa no Lula. Um email apócrifo já famoso conta a história do zelador que se demitiu para viver com seus parentes a custa do Bolsa-Família e faz um apelo: “REPASSEM URGENTE ANTES DE 2010, AINDA HÁ TEMPO, PARA CORTAR O MAL…”

Gerenciando percepções


Agora, imaginem todos estes elementos simbólicos, baseados ou não em fatos reais, sendo bombardeados por diversos canais e usando fontes variadas e aparentemente desconectadas entre si. Estão aí reunidos vários elementos do que no começo dos anos 2000 se convencionou chamar de “perception management” (ou “Gerência de Percepção”), um conjunto de estratégias e táticas destinadas a mapear as percepções da opinião pública sobre temas, produtos ou personagens específicos e gerar ações de comunicação explícitas ou encobertas para fortalecer ou mudar estas percepções.

O conceito de gerência de percepção surgiu nos meios militares dos Estados Unidos e foi de certa forma codificado no processo que levou à Guerra ao Terror pós-11 de setembro e mais especificamente à saga para convencer a opinião pública americana da necessidade da invasão do Iraque para eliminar os riscos representados pelas armas de destruição de massa.

Uma definição militar dada pelo tenente-coronel americano Craig S. Jones reza o seguinte:

Perception management involves all actions that convey and/or deny selected information and indicators to foreign audiences to influence their emotions, motives and objective reasoning; and to intelligence systems and leaders at all levels to influence official estimates, ultimately resulting in foreign behaviors and official actions favorable to the originator’s objectives. In various ways, perception management combines truth projection, operations security [OPSEC] cover and deception, and psychological operations [PSYOP]. Documento original aqui.

Seu principal ideólogo é John Rendon, dono de uma empresa de comunicação (Rendon Group) e assessor especial de George W. Bush, Jr. A saga de John Rendon no desenho e implantação da estratégia usada por Bush para convencer o mundo da necessidade urgente de se invadir o Iraque está descrita em uma já clássica reportagem publicada em 2005 pela revista Rolling Stone (“The Man Who Sold the War”, leiam aqui). A história de como ele criou uma formidável rede de mentiras e meias-verdades para gerar as condições de apoio público a uma invasão ao Iraque inspirou a trama de fundo do excelente filme “Zona Verde”, estrelado por Matt Damon.

O documento escrito pelo tenente-coronel Craig Jones, mencionado acima, vale uma lida com atenção, especialmente a parte em que ele fala sobre o cenário de “gerência de informação”, o qual incluiria dois elementos-chave: “Desenvolver temas de informação amigáveis” (Develop friendly information themes), incluindo “operações psicológicas” que definam temas que sirvam como assunto, tópico ou linha de persuasão usados para alcançar um objetivo psicológico.

Outro elemento importante é a identificação de “pontos de pressão”, que são fatores importantes ou essenciais que podem ser influenciados para controlar o comportamento. O tenente-coronel dá até um exemplo concreto: a população de uma região necessita desesperadamente de ajuda econômica. Esta ajuda seria o ponto de pressão. A população, portanto, deve saber que qualquer ajuda estará condicionada a que seus líderes políticos apoiem ou não a democracia.

Este caráter bélico pode ser facilmente adaptado a praticamente qualquer esforço de comunicação pública, especialmente no que se refere à criação de uma situação de medo coletivo (“candidato X, se eleito, vai liberar o aborto, drogas, casamento gay e, ainda por cima, tem um vice conhecido por suas práticas satanistas”…).

Claro que não dá para falar de “perception management” e outras técnicas de propaganda e mobilização pública sem mencionar Josef Goebbels, o pai de todos os publicitários. Em um artigo escrito em 1931, ele descreve sua visão primordial da propaganda para o êxito do Partido Nazista:

“No other political movement has understood the art of propaganda as well as the National Socialists. From its beginnings, it has put heart and soul into propaganda. What distinguishes it from all other political parties is the ability to see into the soul of the people and to speak the language of the man in the street. It uses all the means of modern technology. Leaflets, handbills, posters, mass demonstrations, the press, stage, film and radio…”

E se fosse hoje em dia eu acrescentaria: twitter, blogs, redes de emails, YouTube etc. Já que folhetos apócrifos, como no exemplo ao lado, continuam sendo regularmente usados.

Um último exemplo de todo o arcabouço teórico e prático da gerência de percepção é o caso clássico da campanha de contrainformacao criada globalmente para empurrar goela abaixo da opinião pública a dúvida sobre o aquecimento global. Para entender como este sofisticado processo de perception managent aconteceu recomendo a leitura de um relatório produzido em 2008 pela Union of Concerned Scientists, o qual revela em crueza de detalhes as táticas usadas pela multinacional do petróleo e gás Exxon-Mobil para disseminar dúvidas sobre a ciência por trás do aquecimento global. O relatório “Smoke, Mirrors & Hot Air – How ExxonMobil Uses Big Tobacco’s Tactics to Manufacture Uncertainty on Climate Science” pode ser baixado aqui.

Transparência na luta contra a obscuridade


Para deixar bem claro, todas estas ferramentas mencionadas não são boas ou más em si. A comunicação é, em todas as suas vertentes, absolutamente fundamental para a democracia e para o fortalecimento do tecido social.

Mas com toda esta longa digressão quero mostrar que a campanha contra Dilma Roussef não vem do nada e nem é puramente fruto da ação voluntária de eleitores indignados com o que ela representa. Não sejamos ingênuos: sempre há alguém se beneficiando e estimulando estes processos.

Não chego ao ponto de dizer que existe uma “master mind”, uma mente única por trás desta campanha. Mas é possível saber muito bem quem se beneficia dela, basta olhar o contexto em que se dá. Aliás, segundo a revista Carta Capital durante a reunião de cúpula da campanha de José Serra, nesta quarta-feira, “circulou um panfleto incitando os militantes serristas a repassarem na internet emails ligando a candidata petista Dilma Rousseff a perseguição de cristãos, aborto e prostituição.”

E como lidar com isto? Em primeiro lugar, estando atendo e fazendo uma leitura permanente da conjuntura. A percepção que tenho é que a campanha de Dilma sofreu de uma espécie de autismo comunicativo, enfocada em uma estratégia que a deixou alheia ao movimento subterrâneo que estava acontecendo sob seu nariz.

“Dilma Assassina”. Um dos tantos blogs anônimos que pululam pela internet e não escondem suas intenções.

Mas o mais importante, em minha opinião, é que não se deve temer expor e jogar luz em toda esta campanha difamatória. Por isso a iniciativa da campanha da Dilma de abrir uma espécie de “central de boatos” é uma boa iniciativa, boa e efetiva. Imagino que será um espaço na rede, com uma repositório do enorme rol de difamações, boatos, incompreensões que circulam por aí. Espero que traga também respostas simples, objetivas e documentadas para cada um deles.

Ou seja, uma espécie de banco de dados público com o bestialógico da campanha comunicativa anti-dilmista. Uma fonte permanente onde buscar informação atualizada que pode ser usada tanto nos meios virtuais, como para ajudar os militantes e simpatizantes e estruturar argumentos para ser usados publicamente, com famílias, amigos etc.

Tem gente que argumenta que não se deve dar corda e expor demais, porque gente que não saberia dos comentários acabaria tomando conhecimento.

Eu acho o contrário. Este tipo de campanha se alimenta das sombras e do medo e só pode ser combatida com eficiência pelo lado da transparência. Isto nem é novidade. Empresas, por exemplo, desenvolvem estratégias nesta linha. É só pensar na página “Boatos e Mitos”, da Coca-Cola.

Obviamente várias outras medidas podem ser implementas, especialmente um trabalho mais consistente na internet e mídias sociais e ações corpo-a-corpo no mundo real para desfazer preconceitos e esclarecer dúvidas. Ou seja, um trabalho sério de gerência de percepção pelo lado positivo.

sábado, 24 de julho de 2010

O medo invade a campanha


O PIG REPERCUTIU EM MANCHETES AS ACUSAÇÕES DO VICE DO SERRA, ÍNDIO DA COSTA (Cacique Merendinha), CONTRA O GOVERNO E O PT DE SE ASSOCIAR AO NARCOTRÁFICO, ATRAVÉS DAS FARC.
A REPORTAGEM ABAIXO PÕE OS PINGOS NOS IIs DA MENTIRA DO PSDB.



Artigo do site ISTOÉ INDEPENDENTE:

http://www.istoe.com.br/reportagens/90267_O+MEDO+INVADE+A+CAMPANHA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

PSDB recorre a velhos fantasmas e tenta assustar o eleitor ao vincular o PT a grupos terroristas e ao crime organizado

Alan Rodrigues e Sérgio Pardellas


PARCERIA
Serra e Indio da Costa planejaram ataques



O comando da campanha de José Serra (PSDB) colocou o medo no centro da disputa presidencial. Tudo começou com a surpreendente entrevista do vice de Serra, Indio da Costa (DEM), dizendo a um site do partido que o PT é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico. Num primeiro momento, lideranças partidárias passaram a ideia de que Indio era apenas uma voz isolada – além de descontrolada e inconsequente. Aos poucos, porém, foi ficando claro que ele cumpria um script previamente combinado. Muito bem orientado pelos caciques do PSDB e DEM, o vice de Serra servia de ponta de lança para uma estratégia de campanha: o uso da velha e surrada tática do medo. Ele procurava criar fantasmas na cabeça do eleitor para tirar votos da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.


A tática do medo, por definição, desqualifica o debate político. Quem a utiliza está disposto a trabalhar não com a razão, mas com sentimentos mais primários e difusos. Recorre a argumentos distantes de qualquer racionalidade para tentar encantar um público mais desinformado ou que já coleciona arraigados preconceitos. É um jogo perigoso: “Campanhas negativas podem até aumentar a rejeição ao candidato que as patrocina”, diz o cientista político José Paulo Martins Jr., da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Mas os tucanos resolveram arriscar.



ACUSAÇÕES
Tasso Jereissati diz que Lula é “chavista”



Apesar das reações provocadas pelas declarações de Indio da Costa (o TSE já concedeu até direito de resposta ao PT), expoentes do PSDB e o próprio Serra não desautorizaram o deputado do DEM. Ao contrário, passaram a engrossar o vale-tudo eleitoral. Animado, Indio voltou à carga, insinuando uma relação entre o PT e uma facção criminosa do Rio. “Já há vários indícios de ligação do Comando Vermelho com as Farc. E qual a opinião da Dilma sobre isso? Veja só: o PT e as Farc, as Farc e o narcotráfico, o narcotráfico, o Rio de Janeiro e o Comando Vermelho, com indícios muito claros de relacionamento. Ela (Dilma) tem que dizer o que acha”, afirma. Na quinta feira 22, foi o próprio Serra quem assumiu a estridente toada: “Há evidências mais do que suficientes do que são as Farc. São sequestradores, cortam as cabeças de gente, são terroristas. E foram abrigados aqui no Brasil. A Dilma até nomeou a mulher de um deles.” Desta vez, o tom do discurso escandalizou os adversários. “Fui surpreendido com a decisão de Serra de entrar nesse debate. Pelo jeito, ele resolveu dar uma guinada para a direita ao perceber que não deu certo o estilo ‘Serrinha paz e amor’. Serra, agora, resolveu ser troglodita”, disse o líder do governo na Câmara e um dos coordenadores da campanha de Dilma, Cândido Vaccarezza (PT-SP). “Não adianta o kit baixaria do Serra: o povo quer saber é de propostas e de trajetória”, afirmou o deputado petista Ricardo Berzoini.

ALVO
Tucanos querem irritar Dilma e cobram resposta


A tentativa do PSDB de criar uma atmosfera de satanização do PT e de sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, é inteiramente planejada, ao contrário do que poderia parecer. Segundo apurou ISTOÉ, pesquisas qualitativas em poder da coordenação da campanha tucana identificaram que setores do eleitorado brasileiro ainda teriam restrições à “turma ligada ao Lula”. Na enquete realizada pela coligação PSDB-DEM abrangendo as regiões Sul, Sudeste e Nordeste (70% do eleitorado nacional), chegou-se à conclusão de que a imagem de Lula é a mais próxima do chamado “político ideal”. Diante desse quadro, a pesquisa, focando o eleitor das classes B e C, de 25 a 50 anos, tentou filtrar o que, para a população, haveria de bom e ruim no governo petista. Lula foi considerado “quase acima do bem e do mal”, conforme informou à ISTOÉ um dirigente tucano que teve acesso aos números. Porém, em seis pesquisas, quando consultados sobre temas espinhosos como radicalismo e corrupção, os eleitores invariavelmente apontavam a culpa para setores “em torno” de Lula. A turma é que não seria boa.



A constatação animou os tucanos a investir contra o PT. Nas próximas semanas, entre os novos temas a serem abordados estão a relação dos petistas com Hugo Chávez e a defesa que fazem do terrorista Cesare Battisti. Mas, no embalo, sobrará até para o próprio Lula, como demonstrou, na quarta-feira 21, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE): “Lula é chavista”, disse o líder tucano. “Ele pretende fazer aqui neste país uma ditadura populista, em que vai se cerceando os espaços de todo mundo e ficando só o seu espaço de poder.” Para Jereissati, a questão não tem a ver com a alta popularidade de Lula. “Chávez também é muito popular. Outros ditadores também foram muito populares. O problema é que neste governo a política é de eliminação de todo e qualquer adversário”, disse.

Um retrospecto histórico mostra, no entanto, que a tática do medo, colocada em curso pela campanha tucana, funcionou na volta do País à democracia, mas não tem dado certo num Brasil mais maduro. Levado a cabo nessas eleições, o vale-tudo eleitoral pode, mais uma vez, significar o suicídio da campanha tucana. Em 2002, por exemplo, o próprio Serra, então candidato de Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto, lançou mão do medo como artifício: “Existe o PT real e o PT da tevê”, disse ele no horário eleitoral. “É muito importante debater as invasões ilegais e as ligações com as Farc. Isso não aparece na tevê, mas é um lado do PT”, acrescentou o tucano, que estava em baixa nas pesquisas. Por causa dos ataques, o PSDB perdeu um minuto e meio de seu tempo na tevê. E o resultado, todos sabem: Lula venceu a eleição e já está há quase oito anos no poder, registrando índices recorde de popularidade.

A retórica do medo não costuma ter a capacidade de reverter votos, segundo o consultor político e professor da USP Gaudêncio Torquato. “O terrorismo linguístico que começa a subir a montanha não chega perto das massas. Apenas reforça posições de camadas já sedimentadas”, disse ele à ISTOÉ. “Não é novidade utilizar-se da tática eleitoral do medo. O que aconteceu é que Indio cumpriu um papel que lhe deram: o de tocar o apito.” Para Torquato, Indio executou a missão atribuída a ele pela cúpula de campanha do PSDB. “Assim, preservaria Serra da acidez”, acredita. Ainda de acordo com o consultor político, esse tensionamento “já era bastante previsível” e teria outras duas finalidades: a de apresentar o candidato a vice na chapa tucana ao País e tentar enervar a candidata do PT, Dilma Rousseff. “Ao mesmo tempo que eles dão uma estocada, a campanha o apresenta, já que ninguém o conhece. Também criam a polaridade que a campanha do PSDB precisa e tentam tirar Dilma do sério”, afirma Torquato.

PASSADO
Virgílio, do PSDB, também recebeu as Farc


“Discutimos fatos de conhecimento público. Todo mundo sabe da relação do PT com as Farc e todos sabem que as Farc têm relação com o narcotráfico”, insiste o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Anos atrás, o PSDB utilizou-se até das denúncias de que a guerrilha colombiana havia repassado US$ 5 milhões para campanhas eleitorais petistas, o que nunca foi comprovado. Mas, fora as fantasias, o que há de real entre o PT e as Farc? Para responder a essa pergunta, é preciso voltar ao ano de 1990. Com a dissolução da União Soviética, a esquerda mundial estava desamparada. Na América Latina, por sugestão de Fidel Castro, Lula acabou propondo a criação do Foro de São Paulo, a fim de aglutinar partidos, sindicatos e organizações de esquerda. As Farc integraram esse movimento, embora na ocasião ainda não se conhecessem vínculos dela com o narcotráfico. Daí para a frente, a guerrilha sempre participou das reuniões do Foro e recebeu o apoio político de seus membros. O PT chegou a cultivar relações com representantes das Farc, principalmente com o ex-padre Olivério Medina.

No entanto, desde que Lula chegou ao governo, em 2003, o PT tratou de se distanciar do movimento. Em 2005, como revelaram e-mails de dirigentes das Farc, a guerrilha foi impedida de participar da reunião que comemorou o aniversário de 15 anos do Foro de São Paulo e que contou com a presença de Lula. Em 2008, ocasião da libertação da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt, Lula condenou publicamente a guerrilha. “A grande chance que as Farc têm de um dia governar a Colômbia é acreditar na democracia, na militância política. É fazer o jogo democrático como fizemos aqui. Não se ganha eleição sequestrando pessoas”, disse.

Levando-se em conta a lógica controversa que vem sendo usada na campanha de Serra, o próprio líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), seria também ligado à guerrilha colombiana. Em 1999, Virgílio não apenas recebeu o então representante das Farc no Brasil, Hernán Ramirez, em seu gabinete, como foi considerado pelo grupo um dos principais interlocutores da guerrilha no País. À época, Virgílio era secretário-geral do PSDB e líder do governo FHC no Congresso. No mesmo ano, Ramirez visitou também o então governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT). Um dos objetivos dos encontros era abrir um escritório das Farc em Brasília. Mas a ideia não prosperou. Ela só voltou a prosperar agora no discurso atropelado do PSDB.

Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira e Fabiana Guedes