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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O PIG-FOLHÃO E OS DOSSIÊS DA DITADURA




O PIG-FOLHÃO obteve acesso aos arquivos da ditadura (que ele chama de “ditabranda” – só ele, aliás, porque apoiou e ajudou a ditadura) sobre a presidente eleita Dilma Rousseff.

O que será que vai fazer o PIG-FOLHÃO? Como vai tratar as informações lá contidas, depois de passadas as eleições?

E mais: tem o PIG-FOLHÃO o direito de publicar a voz da ditadura, logo ele, que apoiou e ajudou a ditadura? Que isenção tem esse jornal para escancarar um processo que deve ser visto sob a óptica da História com H maiúsculo, que justamente o PIG-FOLHÃO tem sistematicamente jogado no lixo?

Leia os dois artigos abaixo e tire suas conclusões. Contra o Folhão, claro!


Quanto vale a palavra de torturadores?




por Emir Sader

O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.

O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vitimas indefesas desse crime hediondo?

É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.

O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que a órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.

O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”. Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe.

A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram. Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroismo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=616




CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMPO, O TEMPO DA DOR





Por Isaias Edson Sidney

Talvez seja o tempo a matéria de instigação filosófica mais complexa, para o homem. Só o que podemos afirmar sobre ele, o tempo, é que o futuro vem, inexoravelmente. E, por ainda não existir, podemos moldá-lo conforme nossas ações ou nossos desejos. Se ele vai confirmar nossas ações ou nossos desejos já é uma outra história.

O presente, não sabemos exatamente o que é e não o dominamos, por ser fluido como as letras que vou encadeando neste artigo: só estão no presentes no exato momento em que se materializam diante de meus olhos, para no instante seguinte, tornar-se passado. E quando se tornam passado, eu posso voltar e modificá-las. Como, aliás, fazemos com o passado.

O passado é o tempo que dominamos. Porque podemos mudá-lo à vontade, de acordo com a nossa percepção. E cada um tem do mesmo fato passado a sua visão particular. Portanto, não existe um passado, mas inúmeros passados para um mesmo acontecimento. Ou o que muitos chamam de versões, não importa.

Por que, mesmo, estou falando do tempo? E especialmente do passado? Porque quero falar do passado de Dilma Rousseff, presidente eleita do Brasil.

Sabe-se que lutou contra a ditadura, foi presa e torturada. São três fatos que podem ter, cada um deles, a versão que quisermos dar, conforme os interesses atuais de quem quer que os rememore, os reconte ou os interprete. Podem, portanto, constituir-se em algo nobre ou maléfico. Se sou de direita e apoiei a ditadura, são fatos tremendamente desabonadores. Se, pelo contrário, fui forte opositor ao regime, isso a torna uma heroína, aos meus olhos.

Onde está a verdade?

Poder-se-ia argumentar que a verdade estaria, como, no budismo, no caminho do meio, na zona cinzenta entre a traição à pátria e o heroísmo. Que a presidente eleita não é nem santa nem demônio.

Mesmo aí, nessa pretensa e quase impossível ortodoxia do politicamente correto, não teríamos qualquer certeza, diante das inúmeras possibilidades dessa zona cinzenta: são inúmeras as versões, são inúmeros os detalhes, assim como as circunstâncias em que os fatos ocorreram têm inúmeros atores, cada um com sua versão, e infinitos detalhes que podem ou não ter influenciado cada instante, cada ato, cada palavra.

E por que tudo isso, agora?

Às vésperas da eleição de Dilma Rousseff, algo estava para acontecer, como uma espada de Dâmocles suspensa sobre a Democracia brasileira: o jornal A Folha de São Paulo tinha entrado no Supremo com um pedido de liminar para ter acesso às informações da ficha da candidata nos arquivos da ditadura.

Que interesse teria o jornal em publicar o que está escrito em documentos produzidos pelos militares que prenderam e torturaram a então candidata? A versão deles é a versão de quem a considerava “elemento perigoso”, “inimiga do regime”, “terrorista” .
E todos que lutaram, com ou sem armas, contra a ditadura foram perseguidos como inimigos, muitos foram presos, torturados, mortos e enterrados, sem que tivessem a mínima possibilidade de contar com a Justiça ou com um julgamento justo.

Naquele momento crucial da eleição, publicar a palavra dos ditadores, dos militares que estavam no comando, dos torturadores enfim, teria por único objetivo conturbar o ambiente eleitoral e tentar intervir no resultado das urnas, de forma unilateral e desesperada, como foram unilateral e desesperadamente anti-democráticas todas as ações dos militares durante o período ditatorial. Ou seja, queria o jornal A Folha de São Paulo abalizar, como já o fez no passado, quando apoiou e até contribuiu para o regime militar, as versões unilaterais de carniceiros torturadores que seriam, em qualquer país civilizado do mundo, presos e julgados por crimes imprescritíveis, que são os crimes de tortura.

É essa a democracia que deseja e defende A Folha de São Paulo?

E agora que, passadas as eleições, eles – os donos e jornalistas de A Folha de São Paulo – obtiveram o acesso a esses dados da ditadura, o que pretendem fazer? Vão ter a hombridade de publicar todas as versões, inclusive a da presidente eleita e de todos os envolvidos? E mesmo que o façam, com que finalidade? De provocar comoção e vender mais jornais? Saberão as cabeças quentes pela derrota de seu preferido manter uma certa idoneidade, para trabalhar com rigor histórico os dados que lhes oferecerem os registros dos torturadores?

O passado da presidente eleita, como tudo aquilo que é passado, tem inúmeras versões e pode ser reconstruído de acordo com infinitas possibilidades, em função de interesses atuais, em função da cabeça de quem o manipula ou interpreta e até em função da ignorância de alguns ou de todos os fatos, porque, afinal, ninguém, absolutamente ninguém, conseguirá reproduzir o passado tal como de fato aconteceu.

Então, eu pergunto: qual o passado que a Folha de São Paulo pretende resgatar? O da sua verdade, eivada de preconceito, como têm demonstrado todas as suas “reportagens” políticas atuais ou o passado de apoio e ajuda aos mesmos elementos que prenderam e torturam a jovem Dilma, naqueles idos e terrivelmente vividos dias de dor e confronto?

Alguém, em sã consciência, acredita em alguma boa intenção desse jornal?

http://venenodecobraxxi.blogspot.com/

sábado, 6 de novembro de 2010

O RECADO DE LULA AO POVO E À OPOSIÇÃO

Presidente Lula vem a público, através de rede de televisão, expressar seu agradecimento ao povo brasileiro pela eleição de Dilma Rousseff.

Mas, como líder e como político consciente do processo por que passou a eleição da presidente, dá um recado claro à oposição: que ela – a oposição – saiba cumprir o seu papel, sem precisar recorrer a golpes baixos como os da campanha.

A democracia no Brasil funciona a plenos poderes, apesar da chiadeira de algumas cassandras e da pregação do PIG de que ainda temos instituições frágeis.

É claro que o preço da democracia é a eterna vigilância.


Vigilância contra aqueles que não querem aceitar a voz que vem do povo, através das urnas.

E o presidente Lula – que não é apenas o melhor presidente de todos os tempos, mas também o mais democrático, porque conheceu na pele, juntamente com a presidente eleita, o que é viver na ditadura – o presidente Lula fez um pronunciamento que deve ser entendido exatamente como um alerta contra a forças inimigas do povo e de suas decisões.

Eis, na íntegra, o pronunciamento do presidente Lula:

Minhas amigas e meus amigos,

No último domingo, o Povo Brasileiro, mais uma vez, deu uma extraordinária demonstração do vigor da nossa democracia. Mais de 106 milhões de eleitores foram às urnas. E, num ambiente de tranquilidade e entendimento, mas também de paixão e entusiasmo, promoveram uma grandiosa festa democrática em todo o Brasil.

Estamos todos de parabéns. Como Presidente da República, quero dividir com vocês o meu sentimento: estou muito orgulhoso do nosso Povo e do nosso País.

Quero dar também os parabéns também à Justiça Eleitoral, que dirigiu com equilíbrio e competência a disputa. Horas depois de encerrado o pleito, graças ao sistema eletrônico de votação e apuração, já conhecíamos os resultados.

Minhas amigas e meus amigos,

A festa democrática de domingo foi o coroamento de um processo eleitoral que mobilizou o País durante meses, no qual foram escolhidos não só a nova presidente, como também governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Esse processo foi realizado sob o signo da liberdade. O Povo pode escolher seus dirigentes e representantes livremente. Também livremente, partidos e candidatos puderam expressar suas opiniões, defender suas ideias e criticar as propostas dos seus adversários.

Foi assim, em meio a um amplo debate nas ruas, no trabalho, nas escolas, no rádio, na televisão e na internet, que cada cidadão e cada cidadã, sem qualquer tipo de coação, pode avaliar candidatos e projetos, firmar convicções e amadurecer seu voto.

Nas urnas, falou o Povo. Falou com voz clara. Falou com convicção. Agora cabe a todos respeitar sua vontade. Os escolhidos para governar devem ter a liberdade para organizar suas equipes e colocar em prática suas propostas, de modo a honrar os compromissos assumidos com a sociedade. Já aqueles a quem o povo colocou na oposição devem ter a liberdade de criticar e apontar os erros dos governantes, para que possam em eleições futuras se constituir como alternativa.

Passadas as eleições, quando é compreensível que o calor da disputa gere confrontos mais duros, é importante que governo e oposição, sem abrir mão de suas opiniões, respeitem-se mutuamente e divirjam de forma madura e civilizada.

Como todos sabemos, o Brasil vive hoje um momento mágico, de crescimento econômico, inclusão social, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução das desigualdades regionais. Estou convencido de que, nos próximos anos, o Brasil poderá consolidar-se como uma terra de oportunidades e de prosperidade, transformando-se numa nação desenvolvida. Avançaremos mais rapidamente nessa direção, se soubermos qualificar o debate político.

Minhas amigas e meus amigos,

Quero dar os parabéns à companheira Dilma Roussef. Para mim, primeiro trabalhador eleito Presidente da República, será motivo de grande satisfação transmitir a faixa presidencial, no próximo dia 1º de janeiro, à primeira mulher eleita Presidente da República. Tenho perfeita consciência do imenso simbolismo desse ato.

Ele proclamará ao mundo inteiro – e a nós mesmos – que somos um País com instituições consolidadas, capazes de absorver mudanças e progressos. E que somos também um País que aprendeu a duras penas que não há preconceito, por mais forte que seja, que não possa ser vencido e superado pela tenacidade do povo.

Simbolicamente, estaremos proclamando ainda que ninguém é melhor do que ninguém. Não importam as diferenças de origem social, de sexo, de sotaque ou de fortuna. Somos todos brasileiros. E todos devem ter oportunidades iguais, o direito a sonhar com dias melhores e o apoio para melhorar sua vida e a de sua família.

Boa noite!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

GOVERNO LULA: O FEIJÃO E SONHO



Lula e PT, ao chegarem ao poder, representavam o sonho de milhões. A esperança da renovação e da mudança.

Passados oito anos, muita gente parece desencantada com Lula.

Eu pergunto: queriam o quê, essa gente?

Que Lula tocasse fogo no País? Que fizesse uma revolução, matasse todos os banqueiros, desse calote na dívida externa, desapropriasse todas as terras, encampasse todas as indústrias?

Ora, não há revoluções que deram certo: todas as mudanças bruscas da história se voltaram contra elas próprias e só deixaram um rastro de sangue, de destruição, de desespero, que o tempo ameniza e os historiadores adoram, porque simbolizam... o quê? Apenas isto: um acontecimento cruel e autofágico, nada mais!

Revolução é sonho! E sonho cruel, que logo vira pesadelo.

Lula preferiu o caminho do “feijão”. Da realidade. Está fazendo a verdadeira revolução: pondo o Brasil para caminhar em busca de seu futuro, do desenvolvimento, da superação da pobreza.

E isto se faz, não aos saltos, mas num movimento contínuo, respeitando a vida, respeitando a marcha da História, sem trancos, sem mortes, sem desespero, sem sangue.

Houve dificuldades?

Claro que sim. Nada se faz sem sacrifícios, sem voluntarismo, sem metas a serem cumpridas, apesar dos obstáculos.

Houve desvios?

Claro que sim. Nenhum governo está imune a tropeços de seus membros, a descobertas de falcatruas e de tentativas de corrupção. Mas, sejamos honestos: todas as denúncias têm de ser apuradas, investigadas e julgadas! Porque é assim que funciona um Estado de Direito e foi assim que agiu o Presidente Lula, até agora.

Por isso, sua popularidade. Por isso, seu desgaste com a população tem sido tão baixo. Por isso, está-se tornando um dos maiores presidentes da História desse País.

E isso incomoda. E como incomoda!

Não estavam acostumados com tanta democracia: o uso do cachimbo faz a boca torta. E a boca torta dos golpistas está aí, encastelada no ódio que uma certa porção da mídia devota ao governo Lula.

Não estavam acostumados com o fato de que os pobres precisam sobreviver, primeiro, para conseguirem empregos depois. Não estavam acostumados com as mudanças em prol do povo e não apenas em proveito dos ricos.

Então, companheiros e companheiras, vamos em frente, com Dilma presidente!

Para que o Brasil não retroceda, continuaremos a combater a mentira, o denuncismo vazio, as articulações de gabinetes luxuosos, as tentativas de golpe.

Enquanto o PIG se articula, diante dos resultados das urnas que, se não foram, para nós, o melhor dos mundos, deixaram, no entanto, muitas cabeças coroadas extremamente preocupadas.

Com vocês, um artigo do Blog do Emir, publicado em Carta Maior:






Balanço inicial do primeiro turno



A esquerda teve o melhor resultado eleitoral de sua história: Dilma em primeiro lugar, governadores no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Pernambuco, no Ceará, no Espírito Santo, Sergipe, Acre, boas possibilidades no Distrito Federal, possibilidades ainda no Pará, limpa impressionante e renovação com grande bancada no Senado, maiores aumentos nas bancadas parlamentares na Câmara.


A frustração veio da expectativa criada pelas pesquisas de uma eventual vitória no primeiro turno para presidente. Uma análise mais precisa é necessária, a começar pelo altíssimo numero de abstenções e também dos votos nulos e brancos que, somados, superam um quarto do eleitorado. Mas também dos efeitos das campanhas de difamação – sobre o aborto, luta contra a ditadura, etc., assim como o efeito que o caso da Erenice efetivamente teve para diminuir o resultado final da Dilma.


A votação da Marina certamente influenciou. A leitura desse eleitorado é complexa, nem de longe se trata de onda ecológica no Brasil – as outras votações dos verdes foram inexpressivas. Juntaram-se varias coisas, desde votos verdes, esquerda light, até votos anti-Dilma, votos desencantados com o Serra, entre outros. Mas o montante alto requer uma análise mais precisa.


Para o segundo turno contam esses votos: mais da metade concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do DF, onde ela ficou em primeiro lugar. Qualquer que seja a decisão de apoio no segundo turno – a convocação de assembléias para definir deve confirmar a tendência a abstenção, tornando mais difícil a operação política da direção de apoiar Serra -, esse eleitorado se orientará, em grande medida, não pela decisão partidária, ficando disponível para os outros candidatos.


Em 2006, nem o PSol conseguiu que seus votos deixassem de ir para outros candidatos, desobedecendo a orientação do voto em branco.É uma ilusão considerar que o segundo turno é outra eleição. É a continuação do primeiro, em novas condições – de bipolarização.


A campanha deve ser dirigida diretamente por Lula, deve ser centrada na comparação dos governos do FHC e do Lula, deve ter uma estratégia específica para o eleitorado da Marina e deve multiplicar os comícios e outros atos de massa – um diferencial importante entre as duas candidaturas.Em 2006 o segundo turno foi muito importante para dar um caráter mais definido à polarização com os tucanos, o mesmo deve se dar agora.


Que ele multiplique a votação e a mobilização, para tornar mais forte ainda a vitória da Dilma. Ela é favorita, mas devemos precaver-nos das manobras dos adversários, do uso da imprensa, das campanhas difamatórias.Pode ser um segundo turno de polarização mais clara também, porque os debates diluíam os temas, na medida em que havia um coro de 3 candidatos colocando ênfase nas denúncias. Não soubemos colocar como agenda central o fato de que o Brasil se tornou menos injusto, menos desigual, com Lula, e que esse é o caminho central a seguir.


Outros temas do primeiro turno abordaremos em outros artigos. Este é para abrir a discussão com todos.


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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

RETA FINAL DA CAMPANHA



O debate da Record foi morno.

O PIG, é claro, destacou os ataques do Zé da Moóca.

No entanto, deviam ter destacado suas “ponderações finais”, quando praticamente implorou ao eleitorado que houvesse segundo turno!

Mudou o discurso, ou mudei eu, hem, cara-pálida?

Há, ainda, o famoso debate na Globo. É preciso atenção.

Mas, só uma catástrofe de última hora pode tirar a vitória de Dilma no primeiro turno.

Como gato escaldado tem medo até de cara feia do PIG, um lamentável e improvável segundo turno não seria o fim do mundo: lembram do Picolé de Chuchu, que perdeu mais de um milhão de votos, no segundo turno?

Por isso, não vamos comemorar antes da hora, não: vamos seguir firmes na campanha. E sempre de olho – bem esperto – nas artimanhas do PIG!

Mas... já há gente pelo mundo afora dando como certa a vitória da Dilma, como se pode ver pelo excelente artigo abaixo:


The Independent sobre Dilma: O Brasil possivelmente elegerá uma líder extraordinária na próxima semana



(Dilma em 1970, segundo foto do registro policial da ditadura, que a prendeu e torturou)


A ex-guerrilheira deverá ser a mulher mais poderosa do mundo

O Brasil possivelmente elegerá uma líder extraordinária na próxima semana

Por Hugh O’Shaughnessy

Tradução: Diego Casaes, original em inglês, aqui




A mulher mais poderosa do mundo surgirá no próximo final de semana. Encorpada e cheia de força aos 63 anos, a ex-líder da resistência de uma ditadura militar (que a torturou) apoiada pelo Ocidente está se preparando para assumir seu lugar como presidenta do Brasil.

Como chefe de Estado, a presidenta Dilma Rousseff seria superior a Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA: seu enorme país, com 200 milhões de pessoas está em festa com a nova riqueza: o petróleo. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a da China, é tal que a Europa e Washington podem somentar invejar.

Sua ampla vitória prevista no pleito presidencial do próximo domingo será comemorado com prazer por milhões. Marca a destruição final do “Estado de segurança nacional”, um arranjo que governos conservadores, nos EUA e Europa, tinham como seu melhor artifício para limitar a democracia e as reformas. Esse artifício alimentou um estado em decomposição que manteve uma vasta maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorecia seus amigos ricos.

Rousseff, filha de um imigrante búlgaro e de uma professora, beneficiou-se em ser, na realidade, a primeira-ministra do imensamente popular, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com um histórico de determinação e sucesso (que inclui aparentemente ter vencido um câncer linfático), essa esposa, mãe, e avó será mulher de si mesma.

As pesquisas dizem que ela construiu uma vantagem indiscutível – de mais de 50% comparado com os 30% – sobre seu oponente mais próximo, um homem depressivo do centro chamado José Serra. Poucos têm dúvidas que ela se instalará no Palácio Presidencial da Alvorada, em Brasília, em janeiro de 2011.

Como o presidente José Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, Rousseff não se vergonha de seu passado de guerrilheira urbana que incluiu lutar contra os generais e passar um tempo na prisão como prisioneira política.

Enquanto garotinha crescendo na cidade provincial de Belo Horizonte, ela diz ter sonhado sucessivamente em se tornar uma bailarina, bombeira, e trapezista. As freiras na sua escola levaram a sua turma para a área pobre da cidade para mostrar aos alunos as lacunas entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres.

Ela se lembra que quando um jovem pedinte com olhos tristes foi à porta da casa de sua família ela rasgou uma cédula ao meio e dividiu com ele, não sabendo que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essa altura ele já tinha lhe apresentado os romances de Zola e Dostoievski. Após isso, ela e seus irmãos tiveram de trabalhar duro com sua mãe para fazer face às despesas. Aos 16, ela estava na POLOP (Política dos Trabalhadores), um grupo desligado do tradicional Partido Comunista Brasileiro que procurava trazer o socialismo para aqueles que pouco sabiam sobre isso.

Os generais tomaram o poder em 1964 e decretaram o reino do terror para defender o que chamavam de “segurança nacional”. Ela ingressou os grupos radicais secretos que não viam nada de errado em empunhar armas contra o regime militar sem legitimidade. Além de mimar os ricos e acabar com os sindicatos e as pessoas de classe mais baixa, os generais censuravam a imprensa, proibindo os editores que deixassem lacunas nos jornais e mostrar onde as notícias tinham sido apagadas.

Roussef acabou entrando na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Revolucionária Armada dos Palmares). Nos anos 1960 e 1970, os membros de tais organizações sequestravam diplomatas estrangeiros por resgate: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um emissário suíço foi trocando por 70.

Eles também atiraram em peritos em tortura estrangeiros, enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora ela diga que nunca tenha usado armas, ela foi eventualmente presa e torturada pela polícia secreta no equivalente do Brasil ao Abu Ghraib, a prisão Tirandentes em São Paulo. Ela foi sentenciada a 25 meses por “subversão” e libertada após três anos. Hoje ela abertamente confessa ter “desejado mudar o mundo”.

Em 1973, ela se mudou para o próspero estado sulista do Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, Carlos Araújo, advogado, estava complementando um período de 4 anos como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem da esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu à tensão de duas pessoas vivendo em cidades diferentes).

Ela voltou para a universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975 e teve uma filha, Paula.

Em 1986, ela foi nomeada diretora financeira de Porto Alegre, capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram agridoce para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretaria de energia do estado, e proporcionou o vasto aumento da produção de energia, garantido que o estado fosse poupado dos apagões de energia que assolavam o resto do país.

Ela construiu 1.000 km de novas linhas de energia elétrica, novas represas e estações termais de energia, ao mesmo tempo em que persuadia os cidadãos a apagar as luzes quando pudessem. Sua estrela política começou a reluzir brilhantemente. Mas em 1994, após 24 anos juntos, ela se separou de Araújo, embora aparentemente em bons termos. Ao mesmo tempo, ela estava dividida entre a vida acadêmica e a política, mas sua tentativa de adquirir o doutorado em Ciências Sociais falhou em 1998.

Em 2000, ela se projetou junto a Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que passou a mirar com sucesso a combinação de crescimento econômico com um ataque à pobreza. Os dois imediatamente se deram bem e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a nomeou chefe da Casa Civil e tem apoiado-a como sua sucessora. Ela estava ao seu lado quando o Brasil descobriu vastas reservas de petróleo no mar, ajudando o líder, o qual muitos na mídia europeia e americana denunciavam há uma década ser um provocador de naufrágios da extrema esquerda, a tirar 24 milhões de brasileiros da pobreza.

Lula esteve ao seu lado em abril do ano passado quando ela foi diagnosticada com câncer linfático, uma condição que tinha sido considerada sob controle há um ano. Relatos recentes de irregularidades financeiras entre sua equipe não parecem ter danificado sua popularidade.

Roussef deve provavelmente convidar o presidente Mujica, do Uruguai, para sua posse. O presidente Evo Morales da Bolívia, Hugo Chavez da Venezuela, e Fernando Lugo do Paraguai, outros líderes sul-americanos bem-sucedidos como ela, intemperizados com campanhas de difamação impiedosas pela mídia ocidental, também devem estar lá. Será uma celebração de decência política, e feminismo.

Representação feminina: O lugar de uma mulher… é no governo

Nos anos recentes, representação política feminina esteve em crescimento significante, com mudanças dramáticas tendo ocorrido em cantos inesperados do globo. Em alguns países, as mulheres estão dominando gabinetes e até mesmo câmaras parlamentares. Em comparação, o Reino Unido está atràs, com apenas 22% de assentos na Assembléia sendo ocupados por mulheres.

Bolívia: No gabinete boliviano, 10 homens agora são acompanhados por 10 mulheres. Em 2009, as mulheres ganharam 25% dos assentos na câmara menor, e 47% na câmara superior.

Costa Rica: Em 2010, as mulheres ganharam 39% dos assentos na câmara menor.
Argentina: Em 2009, mulheres ganharam 30% dos assentos na câmara menor e 47% na câmara maior.

Cuba: Em 2009, mulheres ganharam 41% dos assentos na câmara menor.
Rwanda: Em 2009, mulheres ganharam 56% dos assentos na câmara menor, e 35% na câmara maior.

Moçambique: Em 2009, mulheres ganharam 39% dos assentos na câmara menor.

Angola: Em 2009, mulheres ganharam 38% dos assentos na câmara menor.

Suíça: Possui uma mulher-líder do gabinete pela primeira vez. Em 2007, mulheres ganharam 29% dos assentos na câmara menor.

Alemanha: Em 2009, o gabinete tinha seis mulheres e 10 homens. As mulheres ganharam 33% dos assentos na câmara menor.

Espanha: Nove mulheres, comparado com oito homens no gabinete. Em 2008, mulheres ganharam 37% dos assentos na câmara menor.

Noruega: Quantidade igual de homens e mulheres no gabinete. Mulheres ganharam 40% dos assentos na câmara menor.

Dinamarca: Nove mulheres e 10 homens no gabinete. Em 2007, mulheres ganharam 23% dos assentos na câmara menor.

Holanda: Três mulheres e nove homens no gabinete. Em 2010, mulheres ganharam 41% dos assentos na câmara menor.

Charlotte Sewell

http://mariafro.com.br/wordpress/?p=19619