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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CHEGA E ENROLAÇÃO, CHEGA DE ENGANAÇÃO!



Fizesse quantos abortos quisesse a dona Mônica, que isso é problema dela.

Agora, posar de paladina da justiça, como instrumento dessa direita hidrófoba... isso já é demais.

Ou alguém duvida de que há uma oportunidade única de fascistas, integralistas e toda a corja da direita sair das sombras, para assombrar, de novo, o País?

Pois, é: panfletos apócrifos – com mentiras e safadezas contra a Dilma – provêm de onde? De “instituições” como a Casa de Plínio Salgado.

Ou já esqueceram quem foi Plínio Salgado? O fascista criador movimento integralista, do PRP, que apoiou a ditadura militar?


Certos/vários/muitos setores da Igreja Católica sempre flertaram e até apoiaram Plínio Salgado.

Vejam o que dele disse Jorge Amado (em O Cavaleiro da Esperança):

Nunca, em todo mundo, incluindo o
futurismo de Marinetti no fáscio italiano, incluindo as teorias árias do nazismo alemão, nunca se escreveu tanta idiotice, tanta cretinice, em tão má literatura, como o fez o integralismo no Brasil. Foi um momento onde maior que o ridículo só era a desonestidade. Plínio Salgado, führer de opereta, messias de teatro barato, tinha o micróbio da má literatura. Tendo fracassado nos seus plágios de Oswald de Andrade, convencido que não nascera para copiar boa literatura, plagia nesses anos o que há de pior em letra de fôrma no mundo. É a literatura mais imbecil que imaginar se possa.


Já disse e repito: não tenho medo do Zé, não – tenho medo dessa gentalha que está escondida atrás dele, pronta para trazer de volta a nossas vidas o inferno do fascismo que vigorou aqui durante a ditadura.


O artigo abaixo também alerta sobre o perigo desse tipo de gente.





Os envergonhados e os desavergonhados

Todas essas amigas minhas, da Vila Madalena, de Pinheiros, da USP, mulheres esclarecidas, emancipadas, que votaram na Marina apesar de evangélica e anti-aborto, agora descobriram que todo o seu estado maior é formado por tucanos. Ou ainda não descobriram? A vocês todas eu digo: não se trata agora de derrotar o Serra ou o neoliberalismo. Tudo isso é transitório, efêmero. Trata-se de derrotar a grande conspiração obscurantista. Trata-se da luta milenar da razão contra a superstição, da tolerância contra o fanatismo, da modernidade contra o atraso.
O artigo é de Bernardo Kucinski.

Rompo meu silêncio de três anos na Carta Maior por causa da minha mulher. Ela perguntou: você não vai fazer nada? Não vai participar da campanha?
Eu não sou mais jornalista, respondi, sou ficcionista; não quero mais saber de política, chega, cinqüenta anos sendo usado, agora chega. Ela acabara de ler a história do bispo que mandou imprimir dois milhões de folhetos contra a Dilma.
Eu lembrei ter dito a ela que a Igreja Católica estava traindo, já naquele dia em que soltaram o manifesto acusando Lula da fascista, com a assinatura do Dom Paulo. O pobre homem em estado avançado de Alzheimer, e arrancam dele essa assinatura.
A Igreja não está traindo, está fazendo o que sempre fez, ela respondeu. Nós acabávamos de voltar de uma viagem à Cartagena, na Colômbia, onde visitamos o museu da Inquisição. Os instrumentos de tortura ali exibidos, de fazer o DOI-CODI sentir vergonha, ficaram gravados fundo na nossa imaginação.
Está traindo sim, eu falei, está traindo em primeiro lugar porque usou um método traiçoeiro, o método das mentiras, da difamação, em segundo lugar porque está usando o dinheiro que arranca dos pobres para combater o governo dos pobres, e em terceiro lugar porque está usando uma eleição universal, republicana, para emplacar um dogma religioso, dogma dos mais nefastos, que só prejudica as mulheres pobres.
Um Papa decidiu lá em Roma que o aborto é a linha divisória entre uma sociedade moderna, laica, regida pelo saber científico, e a sociedade atrasada, na qual os padres mandam na vida das pessoas e a Igreja por isso mantém seu poder. E veio a ordem, lancem a campanha contra o aborto bem no meio da campanha eleitoral. Eles são profissionais. Fazem isso há dois mil anos, desavergonhados. Os evangélicos, amadores, entraram de carona.
Agora vou falar dos envergonhados, esses que passaram oito anos disseminando mentiras sobre a transposição do São Francisco, acusando Lula de só beneficiar o agronegócio, demonizando as novas hidroelétricas, tumultuando audiências públicas em nome de índios e caboclos desprovidos de luz elétrica, obstruindo a construção de pontes e estradas que integrariam o continente, combatendo os transgênicos em nome de uma visão pré-darwiniana da natureza, esses que se condoem com gatinhos e pererecas, mas não com os meninos de rua ou os moradores de palafitas.
Esses, que agora estão lançando manifestos dizendo envergonhadamente para votar contra o Serra. Por que não dizem bem alto votem na Dilma?
E também essas todas, amigas minhas, da Vila Madalena, de Pinheiros, da USP, mulheres esclarecidas, emancipadas, que votaram na Marina apesar de evangélica e anti-aborto e agora descobriram que todo o seu estado maior é formado por tucanos. Ou ainda não descobriram? A vocês todas eu digo: não se trata agora de derrotar o Serra ou o neoliberalismo. Tudo isso é transitório, efêmero. Trata-se de derrotar a grande conspiração obscurantista. Trata-se da luta milenar da razão contra a superstição, da tolerância contra o fanatismo, da modernidade contra o atraso.
(*) Bernardo Kucinski é jornalista, autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000)

domingo, 17 de outubro de 2010

POR QUE REPERCUTE TANTO O ABORTO DE MÔNICA SERRA?





Pois, é: se ela não tivesse bradado aos quatro cantos, raivosamente, num comício no Rio de Janeiro, que Dilma mata criancinhas...

Se o Zé não tivesse se arvorado em paladino da moral e dos bons costumes...

Se o PIG fosse mais honesto e não tivesse tentado demonizar a campanha de Dilma...

Se a direita fascista que apoia o Serra não tivesse latido tão intensamente...

Se padres e pastores arrogantes e fascistas não tivessem enfiado os pés pelas mãos, ao elaborar panfletos apócrifos e mentirosos contra Dilma...

Se, enfim, não houvesse tanta hipocrisia e tanta sacanagem entre os fascistas que apoiam o Zé...

... Mõnica Serra poderia ter feito tantos abortos quantos quisesse... que seria problema dela.

Agora, aguente... e venha a público desmentir a história ou pedir perdão ao povo brasileiro pelas mentiras, pelas palavras fascistas contra Dilma e contra todas as mulheres desse País.

Não... eu não tenho pena da Mônica Serra, não... Porque ela usou do poder que tinha para mentir, para acusar, para disseminar ideias fascistas.

E agora, Zé?

E agora, Mônica?

O artigo abaixo dá o tom do desencanto e do que pensam pessoas que têm realmente espírito democrático e não estão de brincadeira com assunto tão sério.

Leiam e reflitam.



Aborto de Monica Serra escancara hipocrisia tucana




Pouco me importaria o fato de Monica Serra ter feito aborto. A vida é dela, o corpo é dela, e não me sinto no direito de julgá-la por isso, até porque defendo a descriminalização do aborto.


Não consideraria o fato relevante por ser de caráter pessoal. Talvez nem o mencionasse, por respeito à privacidade de Monica Serra. Pouco me importaria nada disso, se alguns dias atrás a esposa de José Serra não tivesse incitado o terrorismo ao declarar que Dilma Rousseff “mata criancinhas”.


Na sua tentativa de instaurar um macartismo no Brasil a partir dessa declaração, Monica Serra não poderia ter telhado de vidro. O aborto realizado por ela tantos anos atrás – e que já saiu até na Folha – impediria qualquer tentativa do PSDB de usar o aborto na campanha eleitoral como vem usando. Poderia, sim, defender a descriminalização, mas não criticá-la.


O aborto de Monica Serra escancara a hipocrisia do candidato da oposição. Escancara a utilização de mentiras em sua candidatura. Mostra que o jogo é sujo e baixo, não-confiável.


Se Serra criticasse o aborto sem ter protagonizado um caso do tipo, seria apenas uma posição conservadora e uma tentativa de forçar a discussão pelo viés comportamental moralista, nã0-ideológico. Com o caso do aborto de Monica Serra, seu marido mostra-se mentiroso e hipócrita, tentando jogar no colo da adversária a defesa de uma atitude que ele, como pai da criança que Monica tirou, já cometeu. Torna-se baixo e cruel. Pessoa capaz de tal artimanha não mereceria meu respeito em situação nenhuma. Como posso votar nele para presidente do Brasil?

http://somosandando.wordpress.com/2010/10/16/aborto-de-monica-serra-escancara-hipocrisia-tucana/

sábado, 16 de outubro de 2010

CAI A MÁSCARA: MÔNICA SERRA FEZ ABORTO!

Todo moralista que ergue o dedo para acusar, cedo ou tarde, acaba desmascarado.

Ao demonizar a história do aborto e acusar Dilma de matar criancinhas, a mulher do Zé se esqueceu de dizer que seu passado condena.

E como tudo o que se quer esconder um dia vem a tona, a notícia cai como uma bomba na campanha do Serra.

Não haveria nenhum problema a senhora Mônica Serra ter feito um aborto: isso é drama que toda mulher quer esquecer e pertence ao foro íntimo de cada uma.

No entanto, ao levantar o dedo acusador para Dilma, a mulher do Zé desvendou a face negra do mais puro moralismo preconceituoso.

E agora prova do seu veneno, ao virem à tona informações de seu passado.

Lamentamos que isso ocorra, claro, e somos solidários com a dor do aborto da senhora Serra, mas não podemos concordar com seu falso moralismo e com a demonização fascista de um assunto que deve ser tratado com cuidado e com respeito à própria condição da mulher.

Criminalizar a mulher que pratica o aborto é um crime maior do que a própria dor de cometê-lo e é estigmatizar para sempre um fato que devia ser discutido com profundidade – e sem preconceitos – pela sociedade.

Leiam as reportagens abaixo, e tirem suas conclusões:




O ABORTO DE MÔNICA SERRA


Num comicio no Rio de Janeiro, Mônica Serra – mulher do candidato José Serra, do PSDB - acusou Dilma Rousseff, do PT de ser a favor do aborto e de “matar criancinhas”.

No entanto, uma ex-aluna de Mônica relata em sua página no Facebook, que ela fez um aborto, durante sua passagem pelo Chile, quando o candidato lá se exilou, fugindo da ditadura militar.
A informação, publicada neste sábado (16) no jornal Folha de S.Paulo, é da colunista Mônica Bergamo.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1610201011.htm

De acordo com a colunista, a publicação localizou ex-aluna de Mônica, que confirmou a informação sob a condição de anonimato. Segundo essa professora de dança em Brasília, Monica disse ter feito o aborto por causa da ditadura.

Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher.
A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, mas não obteve retorno.


O jornal relata ainda que, um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo passado (10), a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, outra ex-aluna de Monica, postou uma mensagem em seu Facebook para deixar sua "indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema:

- Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética. Ela escreveu, segundo a Folha, que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher". A colunista relata outro questionamento de Sheila: "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"


Repercussão

O mesmo assunto foi publicado pelo portal R7


(http://noticias.r7.com/eleicoes-2010/noticias/mulher-de-serra-disse-que-fez-aborto-afirmam-ex-alunas-20101016.html):

Mulher de Serra disse que fez aborto, afirmam ex-alunas

Candidato diz ser contra aborto por "valores cristãos" e é questionado por mulheres

Do R7

A mulher de José Serra, Monica Serra, disse que fez um aborto quando estava no exílio com o marido, segundo ex-alunas dela do curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A informação, publicada neste sábado (16) no jornal Folha de S.Paulo, é da colunista Mônica Bergamo.O candidato tucano diz ser contra o aborto por "valores cristãos", que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias.

Esse discurso é questionado por essas mulheres, segundo o jornal.De acordo com a colunista, a publicação localizou uma ex-aluna de Monica, que confirmou a informação sob a condição de anonimato. Segundo essa professora de dança em Brasília, Monica disse ter feito o aborto por causa da ditadura. Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher.

A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, mas não obteve retorno.

O jornal relata ainda que, um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo passado (10), a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, outra ex-aluna de Monica, postou uma mensagem em seu Facebook para deixar sua "indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema.

- Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética.Ela escreveu, segundo a Folha, que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher". A colunista relata outro questionamento de Sheila: "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"

A história foi revelada por uma ex-aluna de Mônica que ficou indignada com a hipocrisia de Serra, durante o debate com Dilma, na TV Bandeirantes no dia 10 deste mês.


A ex-aluna contou em sua página na rede social Facebook que Mônica fez aborto durante o exílio com Serra. Após, a história ser revelada, outras ex-alunas também confirmaram seu relato.
Ao afirmar que é contra o aborto o casal está “posando” de bonzinho e defensor da moral e bons costumes para atrair os votos de pessoas religiosas. Porém, essas pessoas estão sendo enganadas, pois Mônica e Serra já praticaram o ato no passado.


Como podem perceber o candidato mentiu para os religiosos ao afirmar que é contra o aborto e esconder seu passado.


Outro portal que repercutiu a notícia foi o CORREIO DO BRASIL:

(http://correiodobrasil.com.br/ex-alunas-de-monica-serra-confirmam-relato-sobre-aborto/186052/)

Ex-alunas de Monica Serra confirmam relato sobre aborto

14/10/2010 15:06, Por Redação, do Rio de Janeiro e São Paulo

Alunas da então professora de Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Dança, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Monica Serra, confirmaram nesta quinta-feira estar presentes à aula em que a mulher do presidenciável tucano, José Serra, relatou ter sido levada a interromper a gravidez, no quarto mês da concepção. A coreógrafa Sheila Canevacci Ribeiro revelou o fato após o debate realizado domingo, na Rede Bandeirantes de TV, em sua página na rede social Facebook.

Colega de Sheila Ribeiro, a professora de Dança de um instituto federal de Brasília, que preferiu não ter o seu nome citado “por medo do que essa gente pode fazer”, afirmou, lembra que no primeiro semestre de 1992, no segundo período que cursava na Unicamp, o depoimento de Monica Serra a impressionou.

Ela estava sentada no chão em uma sala de dança, onde não há móveis e apenas um grande espelho e a barra de exercícios, ao lado das colegas Kátia Figueiredo, que mora atualmente na Suécia, Ana Carla Bianchi, Ana Carolina Melchert e Érika Sitrângulo Brandeburgo, entre outras estudantes, residentes aqui no país.

– Eu confirmo aqui o depoimento da Sheila Ribeiro. Foi aquilo mesmo. A professora Monica Serra nos relatou que havia feito um aborto em um período difícil da vida do casal, durante a ditadura militar. Foi um fato tocante, que marcou a todas nós. Lembro-me que o assunto surgiu quando ela falava sobre a dissociação do corpo e a imagem corporal, que até hoje dirige meu comportamento – disse.

Pressão

Sheila Ribeiro, após o protesto consignado em sua página, disse nesta quinta-feira que, apesar da pressão dos meios de comunicação e de eleitores de todo o país que passaram a visitá-la no Facebook, não se arrepende de ter relatado a sua indignação ao perceber a mudança de atitude da professora que, em 1992, revelava às alunas um episódio marcante na vida de qualquer mulher, como o aborto realizado diante o exílio iminente, ao lado do marido, e a possível primeira-dama que, em uma campanha política, acusa a adversária do casal de “matar criancinhas”.

– Pior do que isso foi o silêncio do Serra, que deveria ter saído em defesa da mulher, fosse qual fosse a situação em que se encontrava ali, diante das câmeras – emendou a ex-aluna de Monica Serra.

Coreógrafa e doutoranda em Comunicação e Semiótica, na PUC de São Paulo, Sheila Ribeiro mora em uma “praia linda” e, apesar de estar no centro de uma discussão que mobiliza o país, faz questão de seguir a sua rotina de estudos e de trabalho.

– Procuro me manter leve. Respiro – diz, emocionada.

Sheila tem recebido, ao lado de agressões de partidários dos dois candidatos, o apoio dos amigos e “mesmo de estranhos que entenderam a minha indignação”, afirma. Das colegas que estavam ao seu lado, na oportunidade em que a mulher do presidenciável tucano optou por revelar um momento difícil da vida, também recebe a solidariedade e o apoio.

– Estou aliviada por ter visto a Sheila questionar toda essa hipocrisia que permeia a sociedade brasileira. Ela foi muito corajosa e só merece nosso aplauso – conclui a colega que, hoje, mora em Brasília e se destaca pelo trabalho também na área da coreografia e da dança.

Sem resposta

Com as novas entrevistas realizadas pelo Correio do Brasil, nesta quinta-feira, a reportagem voltou a procurar o presidenciável tucano na tentativa de ouvi-lo acerca dos depoimentos das ex-alunas da mulher dele, Monica Serra. O CdB o procurou, novamente, no Twitter, às 12h41:

“@joseserra_ Senhor candidato. Três outras ex-alunas confirmaram o relato sobre o aborto feito por sua esposa. O sr. poderia repercutir isso?”


Da mesma forma, foram encaminhados e-mails à assessoria de imprensa que, por intermédio de uma das assessoras, acusou o contato do CdB e ponderou que, se até o fechamento desta matéria, às 15h04, não houvesse qualquer resposta do candidato, como de fato não ocorreu, o fato deveria ser interpretado como sua recusa em tocar no assunto, em linha com a decisão tomada durante o debate.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O ABORTO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL




Vamos lá, que o assunto é espinhoso.

Aborto é problema de saúde pública e direito individual de cada mulher, segundo a sua consciência.

Ninguém é a favor do aborto, ao declarar tal princípio.

O que não se pode fazer é, primeiro, partidarizar uma questão que não é problema de partido político, mas de política de saúde pública e, segundo, jogar para o campo religioso uma questão que é de foro íntimo.

Que as religiões tenham sua concepção sobre o aborto, é problema delas. Que orientem seus fiéis, que proíbam seus fiéis, que façam o que quiserem com seus fiéis e seus princípios.

Não podem bispos, pastores, aiatolás, gurus, pais-de santo, rabinos ou quaisquer outros assim chamados líderes espirituais se imiscuir em questões de Estado, ou seja, de política de saúde pública.
O Estado brasileiro é laico e tem que continuar a ser. Misturar governo com religião nunca deu e nunca dará certo.

Repito: ninguém, em sã consciência, é a favor do aborto.

Mas, independentemente de todos os chamados líderes religiosos, suas fiéis seguidoras continuam a praticar o aborto, por desespero, por desinformação, por problemas de foro íntimo lá delas.

Tornar essas mulheres criminosas é que é criminoso – e é contra tudo o que as religiões dizem pregar, ou seja, compreensão, amor, caridade etc.

Portanto, partidarizar a questão do aborto, como estão fazendo a campanha do Zé e o PIG é, para dizer o mínimo, querer implantar uma DITADURA DA DIREITA, é querer confundir a opinião pública.
E isso é FASCISMO.

Acho que o artigo abaixo joga um pouco de luz nessa questão.


O levante das Amélias pitbull

Cynara Menezes
13 de outubro de 2010 às 10:13h





Weslian Roriz e Mônica Serra: lutando pelo direito das mulheres de serem só primeiras-damas. (Foto:Agência Brasil/Sérgio Lima/ Folhapress )


Em novembro de 1994, fui cobrir a participação de Ruth Cardoso, esposa do presidente eleito Fernando Henrique, no congresso da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), que até hoje acontece em Caxambu, Minas. Depois de flanar durante o dia por entre as mesas-redondas e palestras, dona Ruth sentou-se à beira da piscina do hotel, com seus amigos intelectuais, para fumar um cigarrinho e tomar um drinque. Ali vi que era o tipo de mulher a admirar: inteligente, independente, interessante. Eu nunca votaria no marido dela para nada, mas dona Ruth era a perfeita primeira-dama. Termo, que, coerentemente, odiava.Sou uma espécie de especialista em primeiras-damas. Sempre que estive em Brasília cobrindo política, elas eram “minha área”. Fui a primeira jornalista do país a entrevistar Rosane Collor após a vitória em 1989, e depois da posse, em 1990. Collor foi substituído por Itamar Franco, que era divorciado. E então veio dona Ruth. Claro que a discreta antropóloga foi um sopro de civilidade diante da moça simplória, cuja característica mais marcante era combinar a bolsa com os sapatos. E que achava ser primeira-dama “bárbaro”. Com Lula chegou dona Marisa Letícia que, pena, optou por ser silenciosa. Mas, com exceção da estrela sem noção que quis pôr nos jardins do Alvorada, nada fez que pudesse me envergonhar como cidadã.



Dona Ruth foi de longe a mais completa das primeiras-damas, mas ainda assim era primeira-dama, não presidente. E vejam só. Agora que se desenha a possibilidade de termos finalmente uma mulher no cargo máximo da Nação, e não um apêndice – admirável ou não -, eis que duas integrantes do sexo feminino saem da sombra onde se achavam para colocar as brasileiras “no seu devido lugar”, com a mensagem subliminar de que não nascemos para presidir, e sim para sermos eternamente primeiras-damas. No máximo, vice-presidentes, cargo que Rita Camata topou ocupar ao lado de José Serra em 2002. Presidente, não. Se ser primeira-dama é tão bom, toda a glória e nenhum poder…



Não consigo ver diferenças profundas entre Weslian Roriz e Monica Serra. Deveria, pois enquanto a primeira é a típica mulher “do lar” da geração de nossas mães, a segunda esteve exilada com o marido no exterior, estudou em universidades norte-americanas, tem até doutorado. Do jeito que tem se posicionado, foi uma surpresa para mim descobrir isso – sinceramente, pensava que era apenas uma ex-bailarina e dona-de-casa. O caso da sra. Roriz é sem dúvida mais grave: ela quer se tornar governadora para continuar a ser primeira-dama! Já Monica quer ser primeira-dama, e basta. Alguém duvida, porém, que faria o mesmo pelo “Zé” se ele, por alguma razão, pedisse? Que se lançaria às feras de uma eleição, como Weslian, para agradar ao marido?



O tipo de fidelidade canina de Monica é idêntico ao da mulher de Roriz. Como Amélias pitbull, ambas são capazes de atacar quem quer que seja na defesa do macho da casa e da instituição familiar. Ambas se dizem católicas fervorosas. E ambas apelam para o aborto para tentar derrotar os adversários dos maridos. No debate do primeiro turno na Globo do Distrito Federal, a “doce” Weslian virou-se para Agnelo Queiroz, do PT, e, em vez de responder à pergunta que lhe foi feita, leu seu papelzinho: “Ah, o sr. é comunista, não acredita em Deus! Então, é a favor do aborto ou não?” Monica recebeu a incumbência, ao lado do vice Índio da Costa, de atiçar pastores e padres para que associem Dilma Rousseff a valores condenados pela igreja. Nas palavras da candidata a primeira-dama, Dilma “gosta de matar criancinhas”.



Tanto o comportamento da mulher-laranja, que ocupa o lugar do marido ficha-suja, como o da mulher que assume a estratégia mais rasteira da campanha para deixar a figura do esposo imaculada me parecem igualmente desprezíveis. Weslian e Monica encarnam a perfeita antítese dos quase 50 anos de movimento feminista no mundo. Quem diria? Em pleno século 21, após tantas lutas e conquistas, surgem do nada duas mulheres sem brilho próprio para impor, em Brasília e no Brasil, uma moral arcaica, retrógrada, em que aborto não é um problema de saúde pública, mas religioso.



E o pior, para insinuar que nosso papel deve continuar a ser subalterno, subserviente, que não estamos “preparadas” para sermos presidentes. Não é assim que fala a propaganda do maridão de Monica? O mais engraçado é que a ação delas se dá justamente diante da perspectiva de passarmos quatro (ou oito) anos sem ter primeira-dama alguma. É como se Weslian e Monica estivessem à frente de um levante de felizes e ferozes donas-de-casa preocupadas em salvaguardar a existência de um cargo por si – Ruth Cardoso tinha toda razão em abominar o termo – meio patético.



Somos iguais aos homens. Não somos maiores, mas não somos menores. Não nascemos para servir – embora, gentis, gostemos de servir. Não fomos feitas para nos submeter a tudo que os homens querem, nem os nossos homens. E não viemos ao mundo para sermos primeiras-damas resignadas em permanecer nos bastidores, na cozinha, ou, na melhor das hipóteses, servindo de peça de enfeite, ornando poderosos. Estamos, sim, preparadas para estar no comando do país.


A postura de Weslian Roriz e Monica Serra me causa indignação e estou segura que indignaria Ruth Cardoso, se fosse viva. Sobre o aborto, aliás, ela declarou em 1999, em entrevista no programa Roda Viva: “Eu acho que se deve garantir o direito às mulheres de usarem ou não essa possibilidade”. Não surpreende que pensasse assim. Dona Ruth não era nenhuma Amélia.



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Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/o-levante-das-amelias-pitbull