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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O ESTADÃO E OS MILITARES



Sou leitor de “O Estado de São Paulo” há muitos e muitos anos. Por pura falta de opção. E também porque sei o que eles pensam, sei o que eles são – uma direita um pouco (só um pouco) mais ética que os demais órgãos de imprensa de direita desse País, como a “Folha de São Paulo”, por exemplo, que tem um triste passado e um presente ainda nebuloso de apoio explícito e sem nenhuma desculpa seja ela filosófica ou apenas interesseira à elite da direita desse País..


Sei que o Estadão não gosta do Lula. Sei que o Estadão não gosta do PT. Sei que o Estadão critica os governos Lula/Dilma. Sei que o Estadão morre de amores pelo FHC, seu queridinho de todos os tempos, e pelo PSDB. Isso não chega a me incomodar. Porque ignoro olimpicamente as reportagens, os editoriais e tudo quanto eles escrevem sobre política nacional. Penso que há outras coisas melhores para ler, nesse jornal, até mesmo na política internacional, em que eles são claramente pró-judeus. Isso também não me incomoda muito. Afinal, é melhor que tenham uma opinião mais ou menos clara a não ter nenhuma e ficar me enganando.


Enfim, sou leitor do Estadão. E tenho boa memória. Coisa que o próprio jornal não tem. Vejam: eles apoiaram – como praticamente toda a grande imprensa brasileira – o famigerado golpe militar de 1964. Apoiaram e, depois, dançaram: tiveram problemas sérios com a censura dos milicos. Lembro-me bem dos poemas de Camões no vetusto jornalão e das receitas no Jornal da Tarde. Censura brava.


Mas o Estadão parece que se esqueceu de tudo isso. De quanto os milicos os incomodaram e de como os milicos se estabeleceram em suas redações para coagir, para proibir, para perseguir. A liberdade de imprensa, de que eles desfrutam hoje, naquela época era uma espada muito bem afiada sobre suas gargantas. No entanto, o Estadão parece que não se lembra. Hoje, nestes tempos de total liberdade – falem o que quiserem, mas a tal censura de que eles reclamam todos os dias é problema judicial e não político – nestes tempos, repito, de total liberdade, eles, por dá-cá-aquela-palha bajulam escandalosamente os militares. Por qualquer motivo, lá vão eles ouvir a opinião da caserna ou, como no caso da demissão há pouco do Ministro da Defesa. (que era e é um dos seus queridinhos, por ter sido também ministro do FHC), foram logo inventar uma pequena crise militar, foram logo dizer que havia descontentes nas Forças Armadas, por causa da escolha do novo ministro: aqueles mesmos e velhos empijamados militares de outrora, que os censurou e que, se ainda vivos, continuam ruminando o seu ódio à democracia. E então, o Estadão vai lá e enche a bola desses... – não, não vale a pena adjetivá-los. Valia a pena esquecê-los.


Mas não o Estadão: sempre que há algum pequeno motivo, os jornalistas do Estadão ressuscitam essa gente. Claro, para alfinetar o Governo democrático que permite que eles cometam suas barbaridades opiniáticas, suas diatribes contra qualquer coisa que realizem os governos democraticamente eleitos, empossados e, felizmente, governando para o povo. Coisa que os milicos de que eles sentem tanta saudade não fizeram.


Mesmo assim, eu ainda leio o Estadão. Até quando? Não sei: minha paciência anda se esgotando. Eles estão ficando cada dia mais furibundos na sua crítica sem critério. Começam a atravessar a tênue linha da ética jornalística: estão querendo, como o fazem todos os seus demais concorrentes de direita, cada vez mais influir no voto do cidadão, na vontade do povo. E com isso, não posso e não vou concordar nunca: um órgão de imprensa não pode e não deve jamais querer interferir na vontade do povo, porque isso não é democrático, não é republicano, não é lógico. Podem, sim, ter sua opinião, devidamente sinalizada em editoriais, em artigos etc., mas nunca através de reportagens, através do noticiário ou através de mensagens pretensamente subliminares, numa verdadeira molecagem que não é digna da tradição que eles dizem preservar, e que eu sempre respeitei. Aliás, é muito mais por essa digna tradição – embora de direita, o contrário do que eu penso – é que eu ainda consigo ler o Estadão! Até quando, não sei.


Por que toda essa diatribe?


Leia e analise bem, meu caro leitor e leitora, a matéria abaixo. E vejam até que ponto vai a desfaçatez de gente que está literalmente cuspindo no prato em que come, para privilegiar o jantar indigesto que lhe foi oferecido pelos milicos de 1964, que eles, agora, tanto bajulam, para tentar atingir um governo realmente democrático.


Até quando vamos engolir esse tipo de imprensa?



Estadão “crava” a espada em Dilma


Publicado em 22/08/2011





por Rodrigo Vianna

A foto está na página A-7, na edição impressa do Estadão. Dilma surge levemente arqueada, e a espada de um cadete parece trespassar o corpo da presidenta. Abaixo da foto, o título “Honras Militares” – e um texto anódino, sobre a participação de Dilma numa cerimônia militar.


Faço a descrição minuciosa da foto porque a princípio só contava com uma reprodução de má qualidade (tive que fotografar a página do jornal com uma máquina amadora). Mas um amigo acaba de me mandar a imagem por email – e essa está um pouco mais nítida. Estranhamente, não encontro a foto no site do Estadão. Talvez apareça naquela versão digital para assinantes…


O editor deve ter achado genial mostrar a presidenta como se estivese sendo golpeada pelas costas. É a chamada metáfora de imagem. Mas, expliquem-me: qual a metáfora nesse caso? O que a foto tinha a ver com a solenidade de que fala o jornal? Há, no meio militar, quem queira golpear Dilma pelas costas? O jornal sabe e não vai dizer?


Ou, quem sabe, a turma do “Estadão” tenha achado graça em “brincar” com a imagem. No mínimo, um tremendo mau gosto com uma mulher que já passou por tortura na mão de militares, e hoje é a presidenta de todos os brasileiros.


Sintomático que a foto não apareça ao lado da mesma notícia na edição digital. Alguém deve ter pensado melhor e concluído: não vai pegar bem.


Por isso tudo, sou levado a pensar que Freud talvez explique a escolha da foto: a mão militar, na imagem, cumpre a função de eliminar a presidenta. E, com isso, talvez agrade a certa parcela dos leitores do jornal.



O Conversa Afiada reproduz post de Rodrigo Vianna, no Escrevinhador:
http://www.conversaafiada.com.br/pig/2011/08/22/estadao-crava-a-espada-em-dilma/
Redação Conversa Afiada

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Imprensa gerou ódio contra nordestinos em São Paulo




sexta-feira, 5 de novembro de 2010


A campanha que os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, a revista Veja e a Rede Globo, entre outros, empreenderam junto aos paulistas visando eleger José Serra presidente da República foi a verdadeira responsável por incitar o ódio contra nordestinos que se viu nas redes sociais no último domingo, após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff.

Na verdade, para fazer justiça à campanha de Serra, não se tem maior conhecimento de ações suas no sentido de caricaturar o eleitorado de Dilma Rousseff – bem como o de Lula, sobretudo em 2006 – como sendo “nordestino”, “ignorante”, “desinformado” e “comprado” pelo “Bolsa Família”.

O bombardeio midiático sobre a população paulista começou no limiar de 2006, quando o presidente Lula passou a ostentar índices crescentes de aprovação nas pesquisas até se reeleger ao fim daquele ano.

No final de 2005, com o escândalo do mensalão sendo martelado incessantemente pelas imprensas de São Paulo e do Rio – que espalhavam seus conteúdos por meios de comunicação regionais de todo país, só que com bem menos sucesso do que em São Paulo –, Lula chegara ao fim daquele ano em queda nas pesquisas.

Apesar de haver suspeitas sobre aquelas pesquisas, o fato é que logo depois do ano novo, já em 2006, uma pesquisa do instituto Sensus mostrava reação do presidente, tendência que só faria aumentar até que ele finalmente derrotasse o tucano Geraldo Alckmin com uma enxurrada de votos.

Naquele momento, com as pesquisas desafiando os desejos eleitorais dos barões da imprensa, esta passou a promover verdadeira lavagem cerebral em a sua “clientela”, ou seja, nos setores de classe média-alta e alta que agora se constata que chegam à irracionalidade e à delinqüência movidos pelos preconceitos que lhes foram inoculados.

A imagem que ilustra este texto – o mapa do Brasil tingido de vermelho e azul conforme as regiões do país em que venceram Dilma e Serra – coroou uma campanha midiática que durou pelo menos quatro anos e que foi empreendida através das “análises” das pesquisas pelos veículos supra mencionados.

Aquelas análises reiteravam, vez após outra, que o eleitorado de Lula e – agora – Dilma era composto por “nordestinos” de “menor instrução” e “desinformados”, como se fosse possível alguém se esconder do tsunami antipetista que inundou os meios de comunicação nos últimos anos.

Apesar de a campanha de Serra ter incitado um ódio na sociedade que gerou até enfrentamento entre partidários tucanos e petistas em mais de uma ocasião, essa mesma campanha não promoveu preconceito contra nordestinos nem em São Paulo nem em parte alguma, até porque o candidato precisava dos votos do Nordeste.

Coube à imprensa paulista-carioca realizar essa insanidade de jogar brasileiros contra brasileiros. E talvez não tenha sido nem por estratégia eleitoral – e, se foi, tratou-se de uma burrice desmedida. É forte a impressão de que a caricatura que essa imprensa fez do eleitor médio de Lula e Dilma teve origem em uma birra infantil dos barões midiáticos.

Diante da constatação da insanidade que se apossou daqueles jovens de classe média alta nas redes sociais no último domingo, um dos veículos que mais difundiu as premissas das quais partiram os degenerados juvenis teve a audácia de publicar editorial criticando o produto de seu “jornalismo”, reconhecendo que Dilma não precisaria do Nordeste para vencer.

Na última quinta-feira, quatro dias depois da explosão racista de jovens paulistas na internet, a Folha de São Paulo publicou o editorial em questão (abaixo).

Intolerância na rede

Uma parcela minoritária de eleitores insatisfeitos com a vitória de Dilma Rousseff incentivou uma onda de mensagens preconceituosas na internet contra nordestinos -aos quais atribui o sucesso eleitoral da ex-ministra.

Ataques mais extremados vociferam desejos separatistas e propõem, numa sombria caricatura nazista, que se construam “câmaras de gás” para eliminar a população do Nordeste.

São demonstrações que vêm no rastro do discurso sectário e da disputa política desqualificada que encontram na rede de computadores fértil território para prosperar. Ataques de baixo nível, ofensas, injúrias e disseminação intencional de boatos -nada disso faltou nos palanques virtuais ao longo da campanha eleitoral.

O caráter até certo ponto ambíguo das manifestações que acontecem nas chamadas redes sociais, nas quais conversas entre pessoas e comunidades transitam numa zona cinzenta entre o público e o privado, contribui para afirmar o mito do “território livre” que acompanha a internet desde o início de sua difusão. É como se ali todos estivessem protegidos não pelas leis, mas das leis – que só valeriam para casos extremos como crimes financeiros ou sexuais.

Não é demais lembrar que há no Brasil legislação para punir manifestações de racismo, não fazendo nenhuma ressalva para quando elas irrompem na internet. É acertada, portanto, a decisão da seção pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil de denunciar, por racismo e incitação de crime, uma das responsáveis pelos ataques ao afirmar em sua página que “nordestino não é gente”.

No mais, embora não seja este o cerne da questão, são incorretas as informações utilizadas pelos promotores da intolerância como esteio para a sua falta de razão. Em que pese a larga margem conquistada por Dilma Rousseff sobre José Serra em Estados do Nordeste, a petista venceria o pleito mesmo se os votos da região não fossem computados.

O editorial, por razões óbvias, passa ao largo da razão pela qual surgiu essa crença equivocada desse setor da população paulista na versão de que Dilma – e, antes dela, Lula – tenha sido eleita graças ao Nordeste. Esquiva-se, de forma patética, de analisar de onde veio essa mentalidade bizarra.

O que vem acontecendo em São Paulo por conta desse noticiário incitante ao preconceito racial, geográfico, cultural e político já fugiu ao controle outras vezes. Logo após o primeiro turno, este blog denunciou um inédito “bullying eleitoral” entre crianças na escola, prova de que começa cedo a doutrinação racista entre os setores mais abastados da população paulista.

A deformidade social que estes fatos revelam, portanto, precisa desencadear uma discussão sobre os limites entre a liberdade de imprensa e a pura e simples inoculação de ódios e preconceitos variados na sociedade. A imprensa deve ser livre para difundir idéias que resultem em confrontos sociais?

Não se pede que os fatos sejam omitidos, mas quando a interpretação deles é enviesada e imprecisa – pois Dilma e Lula sempre tiveram amplo apoio mesmo entre os setores mais ricos e escolarizados, ainda que, em alguns momentos, um pouco menor do que os adversários – as conseqüências podem ser nefastas.

A experiência induz à crença de que nos próximos anos esses meios de comunicação persistirão na prática de insuflar o Sul e o Sudeste contra o Norte e o Nordeste, como que responsabilizando-os por uma conjuntura política adversa para os grupos políticos que apóiam. A grande questão é sobre até que ponto farão esse ódio crescer.

Blog da Cidadania

http://profdiafonso.blogspot.com/2010/11/imprensa-gerou-odio-contra-nordestinos.html?utm_content=%23LULA++%23DILMA+%23SERRA&utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=%23LULA+%23DILMA+%23SERRA&utm_term=%23LULA+%23DILMA+%23SERRA

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PALAVRAS DE LEONARD BOFF


Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano.


Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade.

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff.

Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública.

São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo.

Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula.

Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente.

Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial.

Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula.

É uma guerra contra os pobres que estão se libertando.

Eles não temem o pobre submisso.

Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula.

Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe.

Os de baixo devem ficar em baixo.

Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou.

Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo.

Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública.

Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo.

Votou em Lula como o seu representante.

Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas.

O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros.

De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média.

Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda.

Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome.

Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança.

Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil.

Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial.

A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos?

Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma.

Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial.

A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

http://amigosdopimentel.com.br/profiles/blogs/leonardo-boff-a-midia

domingo, 26 de setembro de 2010

DIZER QUE DESCEU DO MURO NÃO BASTA




O Estadão explicitou seu apoio ao candidato das oligarquias, o Zé da Moóca.

Parabéns!

Agora, todos sabemos o que já sabíamos.

Que outros lhe sigam o exemplo. Podem fazer história. Sinceridade nunca é demais.

Porém, não basta descer do muro: é preciso ter ética! Ou seja, respeitar os adversários.

Se querem apoiar o Zé, que o façam. Mas não precisam, por isso, acompanhar a sujeira dos factoides, das notícias falsas, da calúnia, dos fatos noticiados sem provas, da falta de oportunidade aos denunciados de se expllicarem na mesma proporção em que são acusados.

O que nós, os “blogs sujos” queremos da mídia é isto: sinceridade e honestidade!

Apoiar um candidato é certo. Denegrir os demais não é, nunca foi e nunca será bom jornalismo. Aliás, nem jornalismo é, com absoluta certeza.

Portanto, a descida do muro do Estadão pode ser, apenas, mais uma forma de dizer: olha como somos honestos.
Mas não corresponde à realidade, se continuarem mentindo, denegrindo os adversários de seu candidato e não dando o devido direito de respostas às acusações – falsas ou mal apuradas – que continuam saindo em suas páginas.

Honestidade, cambada! Honestidade e ética.

Leiam, abaixo, o artigo de Leonardo Boff sobre a imprensa. Abre um pouco mais os horizontes de quem está a pensar seriamente sobre liberdade de imprensa neste País.



A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta. Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa.

O artigo é de Leonardo Boff(*).

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial.

Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou.

Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública.

Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas.

O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda.

Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial.

A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.


(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16986&boletim_id=766&componente_id=12728

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RETA FINAL DA CAMPANHA: ATAQUES E PRECONCEITO!




Todas as pequisas indicam: DILMA DEVERÁ SER ELEITA EM PRIMEIRO TURNO.

A primeira mulher a governar o País, uma ex-presa política da ditadura (“ditabranda”, conforma o Folhão), atravessa incólume aos ataques da direita raivosa, para assumir o Palácio do Planalto.

O povo já percebeu o jogo deles: ódio, preconceito, frustração.

O povo sabe quem está mentindo, quem está latindo desesperadamente. O PIG se desmoraliza a cada manchete sacana de seus jornalões.

Por exemplo: cada vez que o FHC late, dá manchete no Estadão.

Cada vez que o FHC vomita, dá manchete no Estadão.

Cada vez que o FHC peida, dá manchete no Estadão.

Ora, todos sabemos que FHC é um fantasma, já morreu há muito tempo e só tem sobrevida como aqueles monstros dos filmes de terror de Hollywood!

A estaca final no peito do morto-vivo e do vampiro vai ser a vitória de Dilma.

Para desespero da elite preconceituosa e sacana que não admite que Lula, o metalúrgico, tenha sido visto pelo mundo inteiro como “o cara”, o líder respeitado e admirado não por sua origem, mas por sua sagacidade.

O morto-vivo desfilava pelo mundo falando várias línguas e não disse nada que se aproveite, além de haver enterrado o País para se reeleger.


Lula, o metalúrgico, que, segundo as elites, nem falar português sabe, assombrou o mundo com uma política de entendimento, de paz e de visão do futuro.

Não o futuro de guerras e invasões do Bush, mas um mundo em que se possa chamar o “inimigo” para a mesa de negociações, para descobrir que atrás de cada “inimigo” existe uma nação, um povo, que não podem ser invadidos e destruídos apenas por serem diferentes.

O artigo abaixo é uma bela análise do preconceito. Leiamos, guardemos e usemos suas lições.


(Do blog do Saraiva:

UMA ELITE PRECONCEITUOSA

Laerte Braga




O preconceito não chega às claras. É politicamente correto disfarçá-lo. Vem embutido na ira e na forma sórdida como é distribuído pelos mais diversos canais de comunicação, até o boca a boca.

Falo da eleição de uma presidente e não de um presidente.

A campanha contra Dilma Roussef traz explícito o rancor e o preconceito dos porões onde se escondem os torturadores da ditadura militar e disfarçado no noticiário de jornais como a FOLHA DE SÃO PAULO, ou revistas como VEJA (não tão disfarçado assim). O JORNAL NACIONAL se imagina uma espécie de porta voz divino e acredita que o trono de Deus esteja no PROJAC. Os anúncios se materializam pelo anjo William Bonner e arcanjos são os Marinho.

Deus, o deles, de fato, está em Wall Street e espalhado pelas várias agências de propaganda que transformam esse cheiro fétido de ódio em sabão em pó que tira todas as manchas. Ou perfume que perfuma como nenhum outro o seu banheiro, acrescido do fato de ter vida inteligente.

No início da campanha eleitoral o jornal FOLHA DE SÃO PAULO, um dos braços da ditadura militar (Operações Bandeirantes e Condor), montou um currículo de Dilma Roussef insinuando assaltos a bancos, assassinatos de inocentes e ações terroristas.

A primeira reação veio de dentro do próprio jornal. O Onbudsman, um jornalista eleito para fazer a análise crítica dos fatos noticiados e corrigir distorções, levantou uma série de incorreções no tal currículo.

Ao contrário do que apregoa a FOLHA DE SÃO PAULO – UM JORNAL DE RABO PRESO COM O LEITOR –, o rabo está preso na FIESP e no esquema corrupto que tenta transformar o Brasil em colônia de um mundo gerido pelo terror nuclear com sede em Washington. Não foram feitas as retificações, ou correções.

Prevaleceu a mentira dos donos.

Que Dilma Roussef foi integrante de um grupo de resistência à ditadura militar o País inteiro já sabe. Junto com ela milhares de mulheres e homens enfrentaram o golpe de 1964 e toda a barbárie que caracterizava o movimento.

Que Dilma Roussef foi presa e torturada, submetida a vexames diversos nem ela própria nega, nem jamais tentou negar e isso ficou claro na resposta que deu a um senador numa das muitas CPIs fajutas que os tucanos armaram para tentar atingi-la, só não sabe quem não quer.

Um dos filmes brasileiros que mais comoveu a opinião pública foi o que mostrou a saga de Zuzu Angel, a célebre figurinista, assassinada pela ditadura militar por exercer com bravura e dignidade o ofício de mãe, na busca de seu filho morto nos cárceres da ditadura. Pelos bravos “patriotas” que apregoavam a tal “democracia a brasileira”.

Bem mais que o ofício de mãe. O exemplo de dignidade da mulher como um todo, revestida do caráter que único, de ser humano em seu sentido pleno. Isso significa coragem, porque coragem aí não é bem um ato de heroísmo, mas bravura indômita de quem não se curva ao tacão dos poderosos.

Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo e um dos protagonistas do golpe militar de 1964 (protagonista de segunda categoria) foi uma espécie de precursor do malufismo. Chegou a fugir do País quando a justiça quis prendê-lo pelas mais variadas formas de corrupção possíveis. Surgiu com Ademar o slogan “rouba mas faz”.

A Dilma se imputa uma ação onde um cofre do ex-governador teria sido roubado. No cofre, um milhão de dólares, guardado na casa de uma amante, resultado de propina.

Na prática, quando abjetos torturadores tentam desqualificar Dilma Roussef (e nem estou entrando no mérito de sua candidatura) estão tentando desqualificar também centenas de mulheres anônimas que foram vítimas da ditadura e todas as mulheres em todo o País.

É o preconceito odioso da supremacia da barbárie.

Há anos nos tribunais brasileiros maridos que se julgavam vítimas de traição e executavam a mulher e o suposto amante, eram absolvidos com um argumento solerte de “legítima defesa da honra” e adultério era crime. A própria palavra adultério, em si, é uma aberração.

Saiam aplaudidos ao final de seus julgamentos.

Há uma verdade em qualquer canto do mundo sobre mulheres submetidas a sevicias, quaisquer que sejam elas. A cara machista da sociedade se apieda num primeiro momento e rotula como mulher vulgar num segundo momento.

Está no assédio, na vulgarização, nas práticas deliberadas de transformar coragem em terrorismo, loucura, histerismo, um monte de ismos.

Numa cidade do interior mineiro, anos atrás, um comprador de cabelos para a indústria de perucas (era comum as mulheres não cortarem seus cabelos), assustou-se ao chegar a uma determinada residência onde compraria os cabelos das filhas de um lavrador com um detalhe que nunca poderia imaginar.

Eram três filhas e o pai iria vender o cabelo de apenas duas. Segundo ele, a terceira “já foi usada por um sem vergonha, o cabelo não presta”.

Não sei quantas mulheres tombaram na luta contra a ditadura. Aqui no Brasil, no Chile, na Argentina, nas Filipinas, na Indonésia, mas sei que muitas mulheres emprestaram dignidade e determinação à luta contra tiranos.

Entre nós a anistia na verdade não beneficiou a exilados, presos políticos e que tais. Como concebida e determinada em lei garantiu a impunidade de torturadores, estupradores, assassinos.

Permanecem sob as sombras de sua covardia a destilar veneno.

Foi conseqüência da percepção simples que os governos militares não iriam se sustentar por mais tempo, estavam sendo surrados nas urnas desde 1974 e para evitar derrotas maiores recorriam ao casuísmo da legislação autoritária que lhes garantia a maioria que não tinha.

Uma espécie de saída não tão devagar que pareça provocação, nem tão depressa que pareça medo. Mas saída. E aí, louve-se a capacidade de enxergar esse óbvio do presidente/ditador Ernesto Geisel. Mas registre-se o preço pago junto às hordas de assassinos dos DOI/CODI, a impunidade.

Dilma Roussef foi uma dessas resistentes. Como o seu adversário José Arruda Serra.

Ao contrário de Arruda Serra foi presa, torturada, submetida a humilhações, cumpriu pena. Arruda Serra trocou de lado ao primeiro aceno do dinheiro. Veio pelas mãos de seu mentor FHC (entre os traidores, dedos duros, havia um esquema de patente também. Anselmo era cabo, FHC general).

É mulher, é mãe, é avó, como milhões de mulheres no País e sobreviveu e superou toda essa caminhada, suportou todas essas provações, manteve-se e mantém-se incólume, preservada em seu caráter, em sua dignidade de ser humano e ser humano mulher.

A despeito dos avanços e conquistas da mulher na chamada sociedade civil organizada (trem também que é de lascar, sociedade civil organizada, parece clube de aleluia, aleluia), o preconceito ainda é imenso e se manifesta das mais variadas formas.

Neste momento a candidata Dilma Roussef simboliza essa luta que no dizer de Celso Furtado “a revolução feminista foi a mais importante revolução do século XX”.

A dela, de lutar pela presidência da República, a primeira a chegar ao cargo, a de mulheres que saem de suas casas ainda pela madrugada para jornadas de trabalho e se obrigam a lutar ombro a ombro numa tal sociedade que ainda se lhes vê como melancia, ou melão, ou pera.

Uma vez uma professora perguntou ao então deputado César Maia se ele sabia o preço do pão de sal. Ele respondeu que não. Ou da condução, do ônibus, ele respondeu que não.

A moça, perto de trinta anos de magistério, em sala de aula, salário miserável, mas caráter exemplar, dedicação absoluta, respondeu apenas o seguinte. “Pois deveria saber, afinal você é deputado, que não se vive sem pão e nem se vai ao trabalho sem ônibus”. “Será que você sabe o que é trabalho?”

Cada uma dessas afirmações recheadas da polidez do politicamente correto sobre Dilma e mulheres que não estão preocupadas em ser miss laje para aparecer no Faustão, traz em si, além do preconceito contra a mulher como ser humano, a arrogância das elites políticas e econômicas que enxergam apenas pernas, seios e bundas e acham que os cabelos de uma “mulher usada” já não servem.

O que a mídia privada tenta imputar a Dilma e deve reforçar esse tipo de canalhice no final da campanha é o que pensam da mulher brasileira.

Objeto.

Mais que isso. Escondem, ou tentam disfarçar a prepotência na suposição que a tarefa de cada mulher é achar o desodorante certo para o banheiro.

São primatas na prática e na essência.


http://saraiva13.blogspot.com/2010/09/uma-elite-preconceituosa.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Do e-mail enviado por Vanderley Caixe - Carta o Berro.

Postado por SARAIVA13 às 09:55

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SERRA E O PIG TENTAM VEJAÇO CONTRA DILMA, INUTILMENTE!




O estilo bangue-bangue (ou seria o da polícia de São Paulo?) – atira primeiro e pergunta depois – só tem tirado votos do Serra.

Mesmo assim, ele, o Zé, aquela revistinha safada e o PIG – Estadão, Folhão, Globão et caterva – têm insistido em caluniar, em inventar factoides, em agredir.

Enquanto eles gritam, chiam, caluniam, a caravana – da Dilma – ruma para o Planalto, alheia à chiadeira, às calúnias, aos gritos desesperados de uma oposição “sem lenço nem documento”, apesar do Caetano.

Ganhar ou perder debate não significa estar preparado para governar o País. Só significa que está preparado para debater.

Nesse quesito, Plínio – o comediante – agrada muito mais às plateias.

Mas, na hora de apresentar propostas, de dizer a que veio, sem dúvida o povo sabe ver e escolher sua candidata.

Eu disse candidata, não o arremedo de candidatura de um partido que não devia ser partido: pode-se – e deve-se – politizar a defesa do meio-ambiente, mas partidarizá-lo é coisa para mentes tacanhas ou aproveitadoras ou ingênuas (situe a Marina onde você quiser).

Mas, voltando ao PIG: o “vejaço” agora partiu do Folhão.

O Folhão é aquele jornaleco que, durante a ditatura – que ele chama de “ditabranda”, na cara de pau – financiou a OBAN, a famosa “operação bandeirantes”, de São Paulo, que prendeu, torturou e matou centenas de brasileiros, só porque eram contrários ao regime.

Até as viaturas do Folhão serviram de transporte de presos políticos, durante a ditadura.

Agora, o Folhão posa de democrata, de defensor da liberdade de imprensa.

Eu pergunto: que liberdade tem na imprensa do Olavinho um repórter, um jornalista ou um articulista?

Só a liberdade de dizer aquilo que a direção do jornal quer. Nada mais!

Então, leiam o que o Folhão aprontou.

(A matéria foi transcrita do Blog do Mello - http://blogdomello.blogspot.com/):



(Ninguém tira o pig da lama)



segunda-feira, 13 de setembro de 2010


É como diz o Azenha, Folha: Agora, só falta o torturador. Se bobear, a reporcagem já está até pronta. E eles vão mostrar como está este "pobre homem", com seu salário de torturador aposentado, enquanto Dilma vai ser a próxima presidente do Brasil.

Exatamente como se penalisaram com o agente da ditadura na reporcagem deste domingo, em que entrevistaram o homem que espionava Dilma. Confira no destaque em negrito:

Espião de Dilma Ex-agente da ditadura militar acha que Dilma "nasceu para mandar, não para ser mandada" e acredita que "Lula vai se enganar com ela"

PLÍNIO FRAGA

ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE

Nos arredores de Tristeza, um ex-espião da ditadura militar assiste na televisão à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com desconfiança. "Ela não é tão boazinha assim", afirma."Nasceu para mandar. Não para ser mandada. Lula vai se enganar com ela.

"Filha de imigrante, líder de grupos de resistência à ditadura, ministra e candidata a presidente, Dilma Rousseff pode dizer que foi longe.Não se pode dizer o mesmo de Sílvio Carriço Ribeiro, 69, ex-agente da chamada "comunidade de informações" na ditadura (1964-1985) e ex-coronel da Brigada Militar: continua morando perto da casa em que Dilma viveu, na Vila Assunção, na zona sul de Porto Alegre, região onde mantinha campana para investigar a "subversiva".

O bairro de Vila Assunção cresceu espremido entre o rio Guaíba e os vizinhos Cristal e Tristeza, na zona sul de Porto Alegre. É de lá que Ribeiro assiste a Dilma na propaganda eleitoral gratuita, sorridente, tranquila, sem óculos, cabelos arrumados e com um discurso suave.

"LOBO"

O ex-coronel relembra a Dilma que vigiou: cabelos armados, óculos de lente grossa, com personalidade forte para intervir em discussões entre esquerdistas e fazer valer sua opinião.

"Pessoas desse tipo são duras, amargas. Ela é uma mulher amarga. Não é aquilo que está aparecendo na televisão. É lobo em pele de cordeiro", diz ele.

Em 1972, depois que Dilma saiu da prisão em São Paulo, onde foi torturada por agentes da repressão por pertencer a grupos clandestinos de resistência à ditadura, a hoje candidata do PT mudou-se para Porto Alegre, onde seu segundo marido, Carlos Araújo (dirigente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, que se definia como "organização marxista-leninista de guerra revolucionária") estava preso.

À época, fazia quatro anos que Ribeiro entrara para a "comunidade de informações", forma como seus integrantes se referem aos órgãos de espionagem do regime militar. Teve como missão manter Dilma sob vigilância.

"A informação que a gente tinha é que ela era contato, esse é o termo. Mantinha contatos com gente de Minas, São Paulo, Rio. Se a polícia estava em cima de fulano, eles decidiam mandá-lo para o Sul.

"Baixar" o fulano era a expressão que usavam. A Dilma acolhia essas pessoas."

Lotado no Departamento Central de Informações (DCI), o serviço secreto da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Ribeiro afirma que Dilma começava àquela época a atuar "mais como militante política do que como guerrilheira", sendo este último o período que vai de 1965 a 1970, quando ela foi presa.

CONTATO

"Na década de 70, ela exercia mais a função de acolher gente. E também de recrutar para militar. Era a função maior dela. Mas, além disso, planejava ações e sabia quem executava", afirma ele hoje.

Ribeiro é reticente sobre a maior polêmica envolvendo Dilma à época da ditadura: sua participação ou não em ações armadas, assaltos e assassinatos de opositores.

A atual candidata a presidente nega que tenha atuado diretamente nessas ações, mas são correntes afirmações de que ela tinha conhecimento, ordenou ou planejou várias delas. "Você determinar ou saber quem fez uma coisa dessas não diminui sua responsabilidade. A responsabilidade é até maior", declara Ribeiro.

"O movimento exigia gente forte, que não pensava duas vezes para fazer as coisas", declara.

Em 1998, no final do governo de Olívio Dutra (PT), Ribeiro enfrentou um Inquérito Policial Militar que o exonerou da Brigada Militar, já quando era reservista.

Foi condenado e afastado do oficialato sob acusação de ter feito compras indevidas numa olaria pertencente à Brigada Militar. Ribeiro recorreu à Justiça Comum para tentar reaver o posto (e os vencimentos) de oficial da Brigada Militar.

Ele afirma que, no final dos anos 80, sua casa foi arrombada e levaram "documentos, fotos e fitas" que mantinha armazenados do tempo em que atuava nos órgãos de repressão. "Eram gravações de assembleias, fotos de reuniões, atas", releva, por ter mantido consigo informações que deveriam ter sido arquivadas em repartições públicas."Não levaram nada de valor da casa. Levaram os arquivos e deixaram claro que era isso o que interessava."


A melhor resposta a todo essse porcalismo vai ser dada nas urnas, e foi muito bem definida numa tuitada de @46putz:


E o debate, quem ganhou? Fácil, jovem, subversiva, foi à luta. Hj, caminha com o povo prá vitória. Começa com D, termina com A: Democracia!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?

Hoje vamos de Noel Rosa:

"E o povo já pergunta com maldade:

Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?"

Pois é, se vivo fosse, Noel se juntaria a todos nós, para perguntar ao PIG:

ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?

Com os articulistas do PIG, com certeza, não.


Muito menos com a jornalista do PIGESTADÃO, Dora Kramer.

A "PIG-má-leoa" do Estadão não é, positivamente, nem um pouco honesta, em suas "análises" políticas.





Entenda a nossa pergunta, lendo o artigo abaixo, retirado do BLOG DO SARAIVA

(http://saraiva13.blogspot.com/):

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Carta aberta a Dora Kramer

Prezada jornalista Dora Kramer


Prezada jornalista Dora Kramer, serei breve.

A senhora tem se mostrado muito revoltada com a quebra de sigilo fiscal de diversos brasileiros e feito, como aliás tem sido sua missão nos últimos anos, pesadas acusações ao presidente Lula.Muito bem. É seu direito e inclusive lhe parabenizo pela coragem de nadar contra a maré da opinião da grande maioria dos brasileiros e criticar um presidente com mais de 80% de aprovação popular (chega a mais de 90% entre os pobres e no Nordeste).

Mas, por favor, seja honesta.

Hoje a sua coluna termina repreendendo a candidata Marina Silva por ter cutucado o tucano José Serra, acusando-o de se fazer de vítima. Ao final do texto, porém, há uma frase que apenas serve para desinformar a sociedade:


A candidata Marina Silva provavelmente se considerasse vítima da Receita caso seu sigilo fiscal tivesse sido quebrado.

Portanto, quem teve a privacidade violada pelo Estado não se "faz" de vítima. Por definição "é" uma vítima, independentemente da filiação partidária.

Só para raciocinar: e se o sigilo fiscal violado fosse o de um dos filhos do presidente Lula?

E se o caso acontecesse no governo do PSDB?


Prezada jornalista, a senhora por acaso se esqueceu de que, em 2000, ou seja, durante o governo do PSDB, houve um vazamento de proporções muito maiores, onde 17 milhões de brasileiros tiveram seus sigilos fiscais vazados, incluindo o presidente da República?

Para refrescar sua memória, forneço o link de matéria na revista Época sobre o caso e reproduzo abaixo um trecho:


As primeiras análises feitas pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo do conteúdo do disco digital amarelo, da marca Dysam, confirmam a quebra do sigilo fiscal de pelo menos 17 milhões de brasileiros. Estima-se que lá estejam todos os contribuintes. Trata-se de uma violação de direito constitucional de proporções gigantescas. Um laudo parcial do IC será divulgado na sexta-feira 3.


Procurei em vão editoriais bombásticos na imprensa contra esse crime. Ninguém falou em desrespeito aos direitos constitucionais. Ao contrário, acho que o destaque à violação do sigilo do presidente da república ajudou a pintá-lo como "mais uma vítima", e livrá-lo, e a seu governo, da culpa por terem permitido que tal vazamento ocorresse. E não vimos textos apocalípticos como vimos nos últimos dias. O caso foi literalmente abafado.

A senhora esqueceu também que dados sigilosos de políticos foram violados no Rio Grande do Sul, estado governado pelo PSDB? Entre as vítimas estavam o candidato Tarso Genro, adversário da atual governadora nas eleições, e o de uma filha de oito anos de um parlamentar do Partido dos Trabalhadores.

Para ser honesta com seus leitores, portanto, a senhora deveria tê-los lembrado desses fatos, mesmo que fosse para apontar diferenças, nem que fosse para dizer que, em 2000, houve um crime comum sem envolvimento partidário e que agora tudo é culpa do PT. Tinha a obrigação de lembrar do acontecido, ao invés de fazer uma perguntinha retórica que dá a entender que vazamentos dessa espécie jamais ocorreram em governos tucanos.


# Escrito por Miguel do Rosário # Quinta-feira, Setembro 09, 2010

Matéria publicada por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog)


Postado por SARAIVA13 às 11:13